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Ex-casamento às Cegas era forçada a emagrecer: ‘Vida marcada por perdas’

Imagem: Julia Mataruna/Netflix

[Atenção. Esse texto contém spoiler]
Luciana Guimarães Rodrigues, 51, integra o elenco de Casamento às Cegas Brasil: Nunca é Tarde, edição com participantes acima dos 50 anos. Ela se apaixonou, pediu o companheiro de cabine em casamento e, no momento da revelação, foi rejeitada.
“Eu estava preparada para lidar com a rejeição. Num programa dessa magnitude, em que a validação final é o encontro cara a cara, sabia que corria o risco. E, no meu caso, foi tranquilo, porque também não gostei dele”, contou em entrevista exclusiva a Splash.
Até então, conhecíamos apenas um pedaço da sua história de amor — que, segundo Luciana, daria um livro. Agora, ela fala sobre problemas de saúde que enfrentou desde a adolescência, seus amores e desamores até a participação no reality.
ENVIE SUA HISTÓRIA: acha que a sua história de vida merece uma reportagem? Envie um resumo para o email [email protected]. Se possível, já envie fotos e os detalhes que nos ajudarão a avaliá-la. A redação do UOL pode entrar em contato e combinar uma entrevista.
Relacionamentos e pressão para emagrecer
“Sempre fui namoradeira. Muito nova, já me relacionava com homens mais velhos. Com 16 anos namorei um cara de 28, por exemplo. Minha adolescência foi cercada por uma família de ‘comercial de TV’: meu pai, minha mãe e meu irmão, todos juntos, com uma condição de vida muito boa.
Tínhamos uma casa em Porto Seguro, na Bahia, e passávamos as férias lá. O Carnaval também, estávamos sempre presentes.Sempre tive um corpão. Junto com isso, sou muito intensa: me jogava em tudo. Namorei turistas, nativos, donos de barraca em Arraial d’Ajuda. Mas sempre fui responsável. Meus pais me davam liberdade, e eu retribuía com responsabilidade.
Na faculdade, conheci meu marido, pai dos meus filhos. Namoramos de 1994 até 2002, quando nos casamos. Foi um casamento “padrão”: famílias que se davam super bem, tudo certinho. Eu tinha 27 anos, ele 25.
Logo engravidei da Bruna, nossa primeira filha, e três anos depois veio o Henrico. Nossa vida era de comercial de margarina: ele, publicitário; eu, no mercado da beleza. Tínhamos filhos, babá e uma rotina organizada.
Em 2011, descobri um câncer de tireoide. Desde muito nova, minha mãe me cobrava ter um corpo extremamente magro, embora eu sempre tivesse um corpo bonito, com bundão e pernão.
Desde os 12 anos, ela me dava inibidores de apetite, para mim e para meu irmão. Ela tinha sido ginasta, atleta, e era obcecada com corpo. Mas não havia necessidade de tomarmos esse medicamento. A consequência foi meu câncer. Segundo o médico, ele se desenvolveu pelo uso excessivo do remédio.
Depois que retirei a tireoide, nunca mais consegui ter uma vida normal em relação ao peso, por causa do inchaço e da mudança no metabolismo. Isso abalou tudo, inclusive o casamento. Mas meu marido sempre me apoiou, nunca me cobrou nada, me amava como eu era.
Um novo amor
No fim de 2014, nosso casamento já estava ruim. Quase não dormíamos na mesma cama. Eu ficava no quarto da minha filha, e meu filho dormia com meu marido na cama de casal. Mas éramos muito amigos e parceiros. Não houve briga, e sim afastamento.
Procurei terapia e tentei reanimar a relação com uma matrícula para nós dois na academia. Meu marido era todo bonitão. Ele faria natação e eu, outras aulas.
No fim de 2014, nosso casamento já estava ruim. Quase não dormíamos na mesma cama. Eu ficava no quarto da minha filha, e meu filho dormia com meu marido na cama de casal. Mas éramos muito amigos e parceiros. Não houve briga, e sim afastamento.
Procurei terapia e tentei reanimar a relação com uma matrícula para nós dois na academia. Meu marido era todo bonitão. Ele faria natação e eu, outras aulas.
Logo no primeiro contato com a piscina, ele teve uma micose grave. O médico disse que não poderia mais frequentar a água. Então, juntei o plano dele ao meu: ele saiu, eu fiquei.
Minha professora na academia se tornou minha namorada. Comecei a treinar todos os dias, ficava horas lá. Um dia, ela me chamou para ser seu “case” de sucesso, me oferecendo personal de graça.
A gente se aproximou, e eu me apaixonei. Sempre tive relações intensas com algumas amigas, mas nunca tinha visto isso como amor romântico. Com a ela foi diferente.
Conversei com meu marido e falei que queria me separar. Tínhamos uma boa relação, que mantemos até hoje — sigo chamando os pais dele de sogro e sogra. Ele foi ótimo, me ajudou muito.
Combinamos tudo juntos: aluguel, mudança, apartamento. Fizemos uma separação cheia de respeito. Ele até pagou meu novo apartamento, dizendo que depois descontaríamos na divisão dos bens.
Quando estava tudo pronto, avisamos as crianças. Eles aceitaram bem, porque tratamos tudo com respeito. A mais velha, de 12 anos, chorou um pouco. O mais novo, de 9, acho que não entendeu direito.
Criamos uma guarda compartilhada que funciona até hoje. Durante a mudança, meus sogros levaram os filhos para viajar, para não presenciarem a situação. Quando voltaram, já estava tudo resolvido.
Novo casamento
Nunca traí meu marido. Me separei em 3 de julho e comecei a namorar minha personal em 5 de julho. Ele merecia minha lealdade. César, meu ex, é até hoje um grande amigo e parceiro de vida.
Nos dois primeiros anos de relação, minha mãe rejeitou. Eu nunca tinha me relacionado com mulheres antes. Gostava de algumas amigas na faculdade de um jeito que me fazia questionar se era normal, mas nunca sequer tinha beijado uma mulher.
Depois desse período, ela também acabou se apaixonando pela minha namorada. Meus filhos não tiveram problemas em ter uma mãe bissexual. Perguntaram se ela era minha namorada, confirmei e seguimos a vida.
Com ela fiquei nove anos. Ela era 17 anos mais nova que eu. Mas, após nove anos, nossa relação acabou. Tivemos desgastes nos dois últimos anos: ela queria que eu engravidasse aos 49 anos, para que ela fosse mãe, o que não fazia sentido para mim.
Também fazia cobranças sobre meu corpo, dizendo que eu precisava emagrecer. Sempre respondi que ninguém me obrigaria a fazer algo que não quero. No fim, depois de muito desgaste, ela foi embora. Levou só as roupas e me avisou por WhatsApp que tudo tinha acabado. Sofri muito.
Perdas na família
Minha vida também foi marcada por perdas: meu pai morreu de aneurisma aos 62 anos e meu irmão, aos 49, provavelmente pelo mesmo motivo. Como faleceu na pandemia, não houve autópsia.
Com dois diagnósticos tão próximos, fui investigar minha saúde. Descobri que também tenho aneurisma na aorta, o que desencadeou crises de ansiedade terríveis desde 2021.
Isso me levou à compulsão alimentar, ganho de peso, noites mal dormidas. E, por conta do aneurisma, não posso fazer exercícios de alto impacto, o que dificultou ainda mais cuidar do corpo.
Só posso fazer caminhadas leves, não posso levantar peso nem andar de bicicleta. Meu médico proibiu depois de perceber que minha pressão subia nessas atividades.
Sem tireoide e proibida de exercícios, engordei. Troquei as três horas diárias na academia pelo sofá, ganhei 30 quilos.
Já tive desentendimentos com minha mãe por comentários sobre meu peso. Ouvi coisas como ‘te amava mais quando você era magra’. Me posicionei dizendo que não aceitaria mais nenhuma piadinha sobre minha aparência. É cruel, mas real.
Rejeição no Casamento às Cegas
Um ano após a separação, duas pessoas me procuraram para participar de ‘Casamento às Cegas’. Uma pelo aplicativo Inner Circle e outra pelo Instagram. Não disseram qual era o programa, mas pela descrição percebi.
Foi um processo longo e exaustivo. Chegaram a ficar duas semanas sem contato. Ao mesmo tempo, sabia que meu perfil era interessante: bissexual, acima do peso e fora do padrão estético da sociedade.
Sou espírita e estudo desde 2008. Isso me fortalece e me ensina a me amar independentemente dos outros, a enxergar meu valor e meu propósito. Minha mãe temia como eu lidaria com as críticas ao entrar no programa — e elas vieram em peso. Mas não leio, não me interessa a opinião de quem não me conhece e vê só três minutos meus falando de sexo. Sou muito mais profunda do que isso.
Eu estava preparada para lidar com rejeição. Tive auxílio psicológico antes de entrar, já me preparando. Num programa dessa magnitude, em que a validação final é a sua figura, sabia que corria o risco. E, no meu caso, foi tranquilo, porque também não gostei dele. Achei frustrante, porque ele era mais velho do que eu imaginava e não gostei do estilo.
Voltei realizada pela experiência, mais confiante, mais dona de mim. Minha terapeuta até estranhou: eu poderia ter voltado arrasada, mas não, voltei rainha da cocada preta. Curti a vida, tive alguns casinhos, e hoje estou mais introspectiva por conta do trabalho. Quero um namorado, mas acho que será uma namorada mesmo.”

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade