O desembargador João Beneditto da Silva, do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJ-PB), declarou que Hytalo Santos e seu esposo, Israel Nata Vicente (Euro), “não conseguirão manipular a Justiça”. Ambos permanecem detidos após a Justiça negar um pedido de habeas corpus.
O que ocorreu:
A afirmação foi feita em resposta a um depoimento que mencionava a possibilidade de compra de influências. “Uma testemunha relatou ter visto e ouvido o casal, em um determinado momento, afirmando que poderiam adquirir tudo com dinheiro. Não! Acredito que eles não conseguirão manipular a Justiça”, comentou o juiz durante a 33ª sessão da Câmara Criminal.
Na última sessão, o TJ decidiu, por unanimidade, rejeitar a solicitação de habeas corpus apresentada pela defesa do casal, mantendo, assim, a ordem de prisão preventiva.
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) já se manifestou sobre a prisão preventiva, uma vez que o caso ainda está sob sua análise, dado que houve um recurso. “Acredito que seria complicado para esta Câmara decidir de maneira diferente”, afirmou o desembargador João Beneditto.
O advogado do casal, Felipe Cassimiro Melo de Oliveira, ressaltou que ambos são réus primários e que Hytalo, um dos acusados, “impactou milhões de pessoas e trouxe benefícios a várias delas”. Ele enfatizou que o caso tomou proporções que vão além do âmbito judicial.
“Não há elementos concretos. Mesmo que se faça uma interpretação negativa, não havia nenhuma medida cautelar em vigor. Não foi dada a esses jovens a oportunidade de outras medidas cautelares, mesmo com o arquivamento de casos conhecidos pelo Ministério Público. A denúncia se baseia em reportagens jornalísticas”, destacou Felipe Cassimiro, advogado do casal.
Investigação:
O influenciador e seu parceiro foram detidos preventivamente em 15 de agosto de 2025, em uma residência alugada em Carapicuíba, na Grande São Paulo. Essa prisão foi resultado de uma investigação iniciada no final de 2024, após denúncias de vizinhos, e que investiga a suposta exploração de crianças e adolescentes para a criação de conteúdo online.
O inquérito acusa o casal de tráfico de pessoas, exploração do trabalho infantil e exposição de adolescentes a conteúdos de conotação sexual em busca de lucro. Conforme o Ministério Público da Paraíba (MP-PB), a investigação revelou um “modus operandi estruturado e premeditado” para atrair jovens em situação de vulnerabilidade com promessas de fama e dinheiro.
O caso se tornou nacionalmente conhecido após a viralização de um vídeo de 50 minutos do youtuber Felca, intitulado “adultização”. Neste vídeo, ele expõe conteúdos nos quais Hytalo mostrava adolescentes realizando danças sensuais e respondendo a perguntas de caráter íntimo e adulto.