A performance de Filipe Ret durante o festival The Town, realizado no Autódromo de Interlagos, chamou atenção não apenas pela sua música, mas também por uma declaração controversa. No início do show, o rapper carioca exclamou: “Liberdade pro Oruam, porra. MC não é bandido”, diante de uma grande plateia. Essa afirmação provocou a vereadora de São Paulo, Amanda Vettorazzo (União Brasil/SP), a formalizar uma denúncia contra o artista no Ministério Público de São Paulo (MPSP).
A parlamentar considera “inaceitável” que um evento público seja utilizado para defender indivíduos presos por vínculos com facções criminosas. Para ela, a posição do rapper constituiu um ato de apologia ao crime. Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, conhecido artisticamente como Oruam, está encarcerado no Complexo de Gericinó, no Rio de Janeiro, enfrentando acusações de associação ao tráfico de drogas, tráfico e tentativa de homicídio. “Criminosos devem estar atrás das grades e não podemos permitir que festivais sirvam de palanque para glorificar marginais. Por isso, formalizei uma representação no Ministério Público contra Filipe Ret”, afirmou.
A conexão entre Amanda Vettorazzo e o rapper não é recente. Em janeiro, a vereadora apresentou um Projeto de Lei que proíbe a contratação, pela Prefeitura, de artistas que promovam o crime ou o uso de drogas. A proposta ficou conhecida como “Projeto Anti-Oruam” e já havia gerado conflitos entre a parlamentar e os entusiastas do gênero musical.
Nas redes sociais, Vettorazzo reforçou sua preocupação em proteger crianças e adolescentes de conteúdos que, segundo ela, aceleram a “adultização infantil”. A denúncia contra Filipe Ret é um reflexo da estratégia política da vereadora, que tem adotado uma postura rigorosa em relação ao funk e ao trap.
Até o momento, o Ministério Público não se pronunciou sobre o assunto, e o portal LeoDias está tentando contatar a defesa do rapper. Filipe Ret ainda não fez um pronunciamento oficial sobre as acusações.