Por: Flávia Viana
Enquanto se dedica às danças da Dança dos Famosos, Allan Souza Lima está se preparando para um novo e audacioso desafio: sua estreia na direção de um longa-metragem intitulado “Poeta Bélico”. O artista pernambucano de 39 anos equilibra sua participação no programa de TV com o desenvolvimento de um projeto autoral que tem mais intensidade do que brilho superficial.
Este não é o primeiro projeto narrativo que Allan assina. Seus curtas “Ópio” (2013), “Mais Uma História” (2014) e “O Que Teria Acontecido ou Não Naquela Calma e Misteriosa Tarde no Jardim Zoológico” (2016), que lhe rendeu o prêmio de Melhor Ator de Curta-metragem no Festival de Gramado, já demonstravam seu talento como cineasta. No entanto, agora ele dá um passo maior, apresentando em 2026 uma história que foge das fórmulas convencionais: uma distopia nordestina que retrata a jornada de um guerrilheiro e um poeta em um mundo devastado, explorando a possibilidade de resistência e o que resta da vida e da humanidade.
A narrativa, distante da clássica jornada do herói, é estruturada como uma Via Crucis em 14 quadros. Embora Allan afirme que não se trata de uma obra religiosa, ela faz alusão ao sofrimento cristão. Ele explica: “Não é para catequizar, mas para explorar a sobrevivência em sua forma mais crua, em um cenário onde a regra é clara: ou você mata, ou você morre.” A centelha dessa ideia surgiu de uma frase tatuada em sua pele: “Ter um pensamento bélico da vida não diminui o valor de ser um grande poeta.”
“Essas são duas formas de existir e resistir em um mundo cada vez mais fragmentado, onde predominam certezas bélicas e escasseiam os espaços de diálogo. O guerrilheiro e o poeta não são estereótipos; representam diferentes maneiras de navegar pelo caos. Quis colocá-los lado a lado, pois talvez seja nessa tensão que ainda exista uma faísca de humanidade.”
Durante o período de pandemia, ele reviveu o argumento, convidou o roteirista Ulisses da Motta e encontrou conexões simbólicas com seu terapeuta, um teólogo junguiano. Produzido pela Ikebana Filmes, em parceria com Fernanda Etzberger, o filme será filmado na Paraíba, especialmente em Cabaceiras, conhecida como a “Roliúde Nordestina”, com Renato Góes e Alejandro Claveaux no elenco.
Enquanto o público o aplaude na dança e em breve o verá como diretor em um sertão pós-apocalíptico, o futuro também lhe reserva o retorno a um personagem marcante: Ubaldo, na segunda temporada de “Cangaço Novo”, do Prime Video, prevista para estrear em 2026.
Allan Souza Lima traz ao cinema a distopia nordestina ‘Poeta Bélico’
Imagem: Gustavo Arrais/Divulgação