Embora a atenção inicial em “Vale Tudo” tenha se concentrado na performance de Bella Campos como Maria de Fátima, o verdadeiro desafio do remake coube a Deborah Bloch, escalada para dar vida a Odete Roitman, a icônica vilã da teledramaturgia brasileira. A força dessa personagem é tão marcante que, mesmo em uma época sem internet, ela se estabeleceu no imaginário popular, sendo reconhecida por todos, inclusive por aqueles que nunca assistiram à novela original, que só podia ser revista nas reprises do “Vale a Pena Ver de Novo”.
Diante disso, as expectativas em torno da atuação de Deborah eram altas. Não havia dúvidas sobre sua capacidade de interpretar a personagem, mas a questão era como ela conseguiria traduzir sua própria visão de Odete Roitman, equilibrando a essência da vilã com sua identidade pessoal.
Agora, a poucos episódios do término de “Vale Tudo”, o resultado é extremamente positivo. Deborah conseguiu se distanciar da interpretação brilhante de Beatriz Segall, apresentada em 1988, e tem entregado uma atuação primorosa. Ela trouxe um frescor contemporâneo à personagem, criando uma Odete mais irônica e até debochada em alguns momentos, sem abrir mão da elegância e do elitismo que a caracterizam.
A forma como Deborah interpreta os diálogos de Odete permite que os preconceitos e as afirmações absurdas da vilã sejam recebidos de maneira menos ofensiva. Não é surpreendente que as cenas de Odete se tornem virais nas redes sociais; as pessoas se identificam em algum nível com suas falas e, ao se reconhecerem, compartilham suas mensagens. Essa escolha de suavizar o tom das declarações foi crucial para a popularidade da personagem, sendo um grande mérito de Deborah Bloch.
Graças ao talento da atriz, a versão 2025 de Odete Roitman parece mais acessível e identificável, diferenciando-se da aura quase sobrenatural que a personagem tinha na trama original. Além disso, a roteirista Manuela Dias potencializou a libido da vilã, conectando a liberdade sexual de Odete às fantasias do público sobre uma vida intensa e cheia de emoções. Essa conexão é ainda mais eficaz porque Deborah se entrega plenamente nas cenas que exploram os prazeres carnais da personagem.
Apesar dos tropeços no remake de “Vale Tudo”, o desempenho de Deborah Bloch é, sem dúvida, uma das principais razões pelas quais o público continua fiel à novela todas as noites.