Reconhecido internacionalmente por seu papel na aclamada série “La Casa de Papel”, o ator espanhol Álvaro Morte estreia uma nova minissérie na Netflix chamada “Duas Covas”. A narrativa gira em torno de uma avó (interpretada por Kiti Manver) em busca de respostas sobre o desaparecimento de sua neta adolescente. Álvaro Morte assume o papel de Rafael, um criminoso que também procura descobrir quem foi o responsável pela morte de sua filha.
Em uma conversa com a nossa coluna, o ator revelou que este projeto lhe permitiu realizar um sonho antigo de sua mãe e também falou sobre sua participação na série “Berlim”, um spin-off de “La Casa de Papel”.
Álvaro, antes de falarmos sobre “Duas Covas”, gostaria de saber sua opinião sobre o sucesso das produções espanholas pelo mundo. No Brasil, as séries espanholas, especialmente na Netflix, conquistaram o público. O que você acredita que torna o cinema e as séries da Espanha tão cativantes globalmente?
Penso que nos libertamos de certos complexos que tínhamos no passado, a ideia de que somente as produções dos Estados Unidos poderiam alcançar o mundo todo. Com “La Casa de Papel”, conseguimos quebrar barreiras e demonstrar que grandes histórias podem ser contadas em qualquer lugar.
Acredito que uma das características que nos define como espanhóis é a paixão que transparece em nosso trabalho, e isso se reflete nas nossas produções. Essa intensidade é um dos motivos pelos quais as histórias que vêm do nosso país conseguem ressoar em diversas culturas.
Imagino que você recebe muitas ofertas de trabalho. O que pesou na sua decisão de participar de “Duas Covas”?
Embora “Duas Covas” possa parecer apenas mais um thriller envolvendo o desaparecimento de adolescentes, o que realmente me atraiu foi a perspectiva única de uma senhora idosa (Kiti Mánver) como protagonista da investigação. Essa abordagem inovadora trouxe um novo frescor ao gênero. Além disso, já havia trabalhado com Kiti e Hovik, que interpreta Antonio, em “La Casa de Papel”, e foi um prazer revezar com eles novamente em um projeto tão interessante.
A maioria dos projetos em que você atuou e que chegaram ao Brasil são intensos, envolvendo thrillers e dramas. Você prefere esses gêneros ou as comédias e romances não chegam com tanta frequência até você?
Não sei exatamente por que as propostas que recebo têm essa tendência (para thrillers), talvez por eu transmitir essa intensidade. Contudo, sou grato por ter tido a oportunidade de interpretar papéis com uma carga emocional significativa. Estou aberto a novos desafios e adoraria ser convidado para um projeto mais leve e descontraído.
“Duas Covas” é uma trama que trata de vingança. Você acredita em justiça divina, karma, ou é alguém que busca se vingar quando algo lhe acontece?
Acredito que o mais interessante não é a minha reação pessoal, mas sim como Rafael, meu personagem, lida com a situação. Ele tenta confiar na justiça, mas acaba percebendo que isso não o leva a lugar algum. Para mim, a vingança não traz resultados positivos. Contudo, a série levanta uma pergunta intrigante: todos sabemos que a vingança é errada, mas se você estiver na posição de perder uma filha, até que ponto você consegue manter o controle? É uma questão complexa, e somente a vivência pode fornecer uma resposta.
Qual foi o momento mais surpreendente durante as filmagens?
Uma experiência tocante que vivi foi quando parte das gravações ocorreu em Málaga, cidade onde minha mãe reside. Ela sempre teve talento artístico e sonhou em ser atriz, mas já tem 84 anos. Conversei com a produtora sobre a possibilidade de incluir minha mãe em uma pequena participação, e ela adorou a ideia. Assim, no terceiro e último capítulo, há uma cena em que meu personagem esbarra em uma senhora idosa, que na verdade é minha mãe. Achei bonito que, apesar da moral duvidosa do meu personagem, ele se preocupa com ela naquele momento.
Álvaro, recentemente a Netflix anunciou que você retornará ao papel do Professor na segunda temporada de “Berlim”. Como foi essa volta?
Na verdade, minha participação em “Berlim” é bem breve, aparecendo apenas no último episódio com algumas cenas. Esse personagem me trouxe muitas experiências positivas, e reviver o Professor foi como prestar uma pequena homenagem aos fãs que continuam a demonstrar carinho por ele nas redes sociais. A série “Berlim” acontece antes de “La Casa de Papel”, e o Professor evolui ao longo do tempo, passando de um personagem mais tímido para alguém mais confiante. Espero que os espectadores sintam a mesma alegria ao vê-lo novamente.