Um homem foi detido por ameaçar o youtuber Felipe Bressanim Pereira, conhecido como Felca, e por comercializar material infantil na internet. A informação foi divulgada pelo secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite.
O que ocorreu
Na manhã de hoje, a Polícia Civil de São Paulo prendeu um homem em Olinda (PE) que estava enviando ameaças ao youtuber Felca, além de estar envolvido na venda de pornografia infantil. De acordo com as autoridades, o suspeito lucrava com a distribuição de vídeos e imagens de vítimas de abuso virtual.
“A Polícia Civil de São Paulo prendeu um indivíduo em Pernambuco que ameaçou o youtuber Felca após suas denúncias. É um excelente trabalho investigativo que resultou na captura desse criminoso, que não apenas ameaçava, mas também comercializava material infantil nas redes sociais”, afirmou Guilherme Derrite.
Além dele, outro homem foi preso em flagrante por invasão de dispositivo informático, conforme relatado pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo.
“A Polícia Civil de São Paulo, com o apoio da Polícia Civil de Pernambuco, cumpriu mandados de busca, apreensão e prisão temporária nesta segunda-feira (25) em uma investigação que apura crimes de ameaça, perseguição e associação criminosa em ambiente digital. As diligências ocorreram em dois endereços em Olinda (PE). Um dos investigados foi encontrado e preso, enquanto acompanhava outro indivíduo, que também foi levado à delegacia por estar cometendo um crime em flagrante, segundo o artigo 154-A do Código Penal. Durante a operação, os policiais encontraram o computador do alvo em uso. As investigações continuam para a adoção das medidas legais necessárias”, diz a nota da SSP enviada ao portal Splash.
Quebra de sigilo de e-mail
No dia 17 de agosto, Felca obteve na justiça uma liminar que obrigou o Google a fornecer informações sobre um homem que o ameaçava. De acordo com a decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), o Google Brasil teve um prazo de 24 horas para entregar todos os dados de identificação relacionados à conta de e-mail utilizada nas ameaças, incluindo endereços IP dos últimos seis meses, portas lógicas, registros de data e horário, e informações do usuário.
Segundo o pedido de seus advogados, Felca recebeu e-mails ameaçadores relacionados ao vídeo em que expôs acusações contra o influenciador Hytalo Santos. Os e-mails continham ameaças explícitas à sua vida, com mensagens do tipo: “prepara pra morrer, você vai pagar com a sua vida” e “você vai morrer, se prepare, sua vida corre risco e você vai pagar com a vida”, além de falsas acusações de pedofilia.
O vídeo de Felca
Felca publicou um vídeo sobre a adultização e fez denúncias contra produtores de conteúdo. Com 50 minutos de duração, o vídeo já ultrapassa 48 milhões de visualizações no YouTube. Nele, Felca critica influenciadores e questiona as plataformas que permitem a exposição e sexualização de menores, que ainda lucram com esses conteúdos.
Hytalo Santos é um dos denunciados no vídeo de Felca. Em suas postagens no YouTube, ele mostrava adolescentes em situações comprometedoras e fazia perguntas sugestivas, como “já pulou a cerca?”, “já ficou com mais de quatro na balada?” e “já teve vontade de ficar com um pai, mãe, primo ou tio de um amigo?”.
Hytalo e seu parceiro Israel foram detidos no dia 15 de agosto em uma casa alugada em Carapicuíba, na Grande São Paulo. O juiz responsável decretou a prisão preventiva, alegando “indícios de participação do indiciado” em crimes de tráfico de pessoas e exploração do trabalho infantil. O decreto também menciona o risco de obstrução das investigações.
A defesa do influenciador classificou a prisão como “medida extrema”. Em entrevista ao UOL, o advogado de Hytalo afirmou que ainda não teve acesso ao conteúdo da decisão, mas que tomará “todas as medidas judiciais cabíveis” para proteger os direitos do influenciador.
Hytalo Santos está sob investigação desde 2024 por expor adolescentes a conteúdos de conotação sexual para obter lucro. Ele também é suspeito de crimes relacionados ao tráfico humano e exploração sexual infantil. O Ministério Público declarou que o vazamento de informações confidenciais sobre o caso prejudica a investigação.
O influenciador foi banido das redes sociais e recebeu uma ordem de proibição de contato com menores de 18 anos, após solicitação do MP da Paraíba em uma ação civil pública.