Hoje, em São Paulo, Hytalo Santos foi preso. Ele é um youtuber que está sob investigação por possíveis práticas de exploração da imagem de crianças em suas publicações nas redes sociais. Hytalo, que tem 28 anos e é natural de Cajazeiras, na Paraíba, começou a criar conteúdo no YouTube em 2020, formando a “Turma do Hytalo”, um grupo de jovens que ele se refere como “filhos”. Sua conta no Instagram acumulava mais de 17 milhões de seguidores.
Em seus vídeos, Hytalo exibia os menores em situações de beijo e danças sugestivas, além de fazer perguntas provocativas, como “já pulou a cerca?”, “já ficou com mais de quatro na balada?” e “já sentiu atração por pai, mãe, primo ou tio de um amigo?”. Ele costumava presentear as crianças e suas famílias, frequentemente compartilhando clipes nas redes sociais onde mostrava os pequenos recebendo presentes luxuosos, como iPhones, e familiares expressando gratidão por ajuda financeira com despesas como aluguel e mensalidades escolares.
Em 2024, Hytalo se destacou como uma das contas mais engajadas do Instagram no Brasil, ocupando a quarta posição entre figuras públicas nesse quesito no segundo trimestre do ano, atrás apenas de Neymar, Vinicius Jr. e MC Ryan. Ele conheceu a primeira integrante da “Turma do Hytalo” quando ela tinha apenas nove anos, tendo revelado em uma participação no podcast PodDelas em 2023 que a conheceu em uma aula de dança em sua cidade natal. Embora tenha iniciado cursos de letras e pedagogia, Hytalo não completou sua formação, pois sonhava em ser dançarino.
Investigações sobre Hytalo começaram a ganhar atenção em 2024, quando o UOL reportou que o Ministério Público da Paraíba estava investigando a possível exploração da imagem de menores. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) proíbe que adultos utilizem imagens que comprometam a dignidade e a intimidade de crianças, expondo-as a situações de vexame ou constrangimento, com penas que variam de seis meses a dois anos conforme o artigo 232. O MP iniciou investigações em novembro de 2024 nas cidades de João Pessoa e Bayeux, após um pedido do Conselho Tutelar de Bayeux e uma denúncia anônima em João Pessoa, que foi registrada para proteger os direitos de crianças e adolescentes.
O caso ganhou maior notoriedade quando o youtuber Felca publicou um vídeo intitulado “adultização”, onde aborda a situação de Hytalo como uma crítica às redes sociais que permitem a monetização de conteúdos envolvendo menores de idade.