O apresentador Fausto Silva, de 75 anos, está hospitalizado desde 21 de maio no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. Durante sua internação, ele passou por um transplante de fígado e um retransplante de rim. Em agosto de 2023, ele também recebeu um novo coração devido a uma insuficiência cardíaca.
Como funciona a fila de transplantes no Brasil
No Brasil, existe uma fila única para transplantes, que não leva em conta a renda ou o tipo de plano de saúde. Tanto os pacientes do SUS (Sistema Único de Saúde) quanto aqueles que possuem planos de saúde particulares são registrados na mesma lista de espera do SNT (Sistema Nacional de Transplantes), administrado pelo Ministério da Saúde.
Atualmente, cerca de 46.718 pessoas aguardam por um órgão no país, sendo mais de 43 mil delas à espera de um transplante de rim. O processo de organização da fila é baseado em critérios técnicos que incluem tipo sanguíneo, compatibilidade de peso e altura, compatibilidade genética e condição clínica do paciente. Segundo o Ministério da Saúde, “quando os critérios técnicos são semelhantes, a ordem de registro na lista, ou seja, a sequência de inscrição, é utilizada como critério de desempate”.
É importante destacar que a compra e venda de órgãos são ilegais no Brasil. A Lei Federal 9.434/97 estabelece que a comercialização de tecidos, órgãos ou partes do corpo humano (artigo 15) é passível de pena de reclusão, variando de três a oito anos, além de multa.
Pacientes em estado crítico têm prioridade no acesso aos transplantes, considerando condições clínicas que representam risco à vida. Situações que conferem essa prioridade incluem a impossibilidade total de realizar diálise em pacientes renais, insuficiência hepática aguda, necessidade de suporte circulatório em cardiopatas e rejeição a órgãos recentemente transplantados.
Não é permitido pagar para obter um lugar mais à frente na fila de transplantes. Todos os cidadãos brasileiros, independentemente de sua condição financeira ou classe social, são incluídos na lista de espera.
Embora a idade não seja um fator determinante, crianças e adolescentes até 18 anos têm prioridade em determinadas situações, especialmente quando o doador está na mesma faixa etária ou quando competem com adultos. A especificidade do órgão também pode influenciar a ordem de transplante; em casos de fígado, coração ou pulmão, pacientes em estado mais grave têm preferência, enquanto a compatibilidade (imunológica ou histológica) é crucial para transplantes de rim. No caso do pâncreas, o tempo de espera na fila é o que conta.
Como se tornar um doador de órgãos
O passo mais importante para se tornar um doador é informar sua família sobre essa decisão. Após o falecimento, são os familiares que autorizam a retirada de órgãos e tecidos. A família deve ser consultada e orientada sobre o processo, não sendo necessário registrar a intenção em cartórios ou documentos.
Um único doador pode beneficiar até 10 pessoas que aguardam na lista de transplantes. Entre os órgãos que podem ser doados postumamente estão: pulmões, coração, fígado, pâncreas, rins, intestino, útero, cartilagem, córneas, pele, músculos, tendões, válvulas, medula óssea, veias e artérias, além do sangue do cordão umbilical. Doador vivos podem oferecer parte do pulmão, parte do fígado, um dos rins e parte da medula óssea.
Após a autorização da família, uma série de exames é realizada para verificar a presença de anticorpos relacionados a HIV, hepatites B e C, HTLV, sífilis, doença de Chagas, citomegalovírus e toxoplasmose, além de exames gerais de avaliação dos órgãos. Se os resultados forem favoráveis, o doador é encaminhado para a cirurgia de retirada dos órgãos.
É importante ressaltar que o doador e sua família não terão custos relacionados à doação, nem receberão qualquer compensação financeira. A doação é um ato de solidariedade e amor ao próximo. Os órgãos são removidos cirurgicamente sem causar desfiguração ao corpo, que pode ser velado ou cremado normalmente, sem necessidade de preparações especiais.