José Gil, de 33 anos e irmão da cantora Preta Gil, revelou que a cerimônia de cremação da artista, realizada na tarde de hoje no Cemitério da Penitência, no Rio de Janeiro, foi envolta em um misto de tristeza e leveza, contando até mesmo com um bar de drinks.
De acordo com José, a “despedida da despedida” foi uma celebração linda e ele expressou sua gratidão pelas mensagens de apoio que receberam de amigos e fãs. “Estamos muito tristes, mas também felizes… Esta foi uma despedida grandiosa, digna da Pretinha, repleta de amigos e pessoas que ela amava. Agradecemos a todos pelo carinho e pelas mensagens. Sabemos que essa família se estende para uma grande rede de amor que ela compartilhou com tantas pessoas no Brasil. O amor que vocês dedicavam à Pretinha reverbera em nós.”
Ele mencionou que a cerimônia atendeu a todos os desejos de Preta, incluindo a presença de um bar de drinks. “Ela pediu tudo. Até um bar de drinks estava presente no velório. Foi uma celebração com tudo que ela sonhou: as músicas mais lindas, os amigos mais especiais, tudo do jeito que ela queria.”
José também ressaltou que a homenagem foi um tributo que talvez ela não tivesse imaginado, lembrando do impacto que ela teve na organização do Carnaval, onde lutou para que grandes blocos pudessem se apresentar. “Ela será lembrada para a eternidade, presente em nós e em todo o Brasil.”
A cerimônia teve um caráter respeitoso em relação às diferentes crenças religiosas. “Foi um momento de oração, cada um com sua fé, algo que ela sempre buscou. Celebrar a diversidade era uma parte essencial da sua vida, e hoje estavam aqui tantas pessoas maravilhosas, assim como era seu ciclo de amizade.”
O cortejo foi repleto de emoção, cantos e balões. O corpo de Preta Gil foi levado do Theatro Municipal do Rio de Janeiro pouco após as 15h, sendo carregado por bombeiros, seu filho Francisco Gil, Otávio Muller e o músico Carlinhos Brown. O caixão foi colocado em um caminhão do Corpo de Bombeiros e o trajeto foi marcado por aplausos, lágrimas e gritos de “Preta, eu te amo” de seus admiradores.
Milhares de fãs prestaram homenagens acendendo sinalizadores de fumaça e entoando canções como “Sinais de Fogo”, “Stereo”, “Meu Corpo Quer Você” e “Medidas de Amor”, enquanto balões vermelhos enfeitavam o caminho. O cortejo durou quase uma hora, entre o Theatro Municipal e o crematório na zona norte, com muitos fãs lotando a passarela do metrô Cidade Nova na Avenida Presidente Vargas.
Entre os presentes estavam figuras conhecidas como Carol Dieckmann, Regina Casé, Thiaguinho, Francisco Gil, além de amigos e familiares que seguiram em carros e vans rumo ao cemitério. O caminhão do Corpo de Bombeiros percorreu diversas ruas, incluindo a Avenida Brasil, até chegar ao local da cremação, marcada para as 17h em uma cerimônia restrita a familiares e amigos próximos.
O velório de Preta Gil aconteceu das 9h às 13h, com várias ruas ao redor do Theatro Municipal interditadas, incluindo o trajeto que agora leva seu nome, Circuito de Blocos de Carnaval de Rua Preta Gil. Fãs começaram a chegar cedo e cantaram suas músicas em homenagem à artista durante a espera.
Gilberto Gil, seu pai, foi recebido com aplausos ao chegar ao velório, acompanhado de sua esposa, Flora Gil, e outros familiares. A primeira-dama Janja Lula da Silva também compareceu e enviou uma coroa de flores com uma mensagem reconhecendo seu legado e luz.
O velório ainda contou com ‘lembrancinhas’ à venda, que incluíam uma imagem de Preta Gil e uma canção de sua autoria.
Preta Gil faleceu no último domingo (20), aos 50 anos, após uma batalha de dois anos contra o câncer. Embora tenha recebido alta no final de 2023, um novo diagnóstico foi feito em agosto do ano passado. Filha de Gilberto Gil e Sandra Gadelha, Preta nasceu em 8 de agosto de 1974, no Rio de Janeiro, e enfrentou preconceitos desde jovem, utilizando sua visibilidade para lutar contra o racismo, a gordofobia e a homofobia. Ela foi uma artista multifacetada, atuando como cantora, compositora, apresentadora e empresária, além de ter se destacado como atriz em várias novelas.