Bruno Fernandes, o ex-goleiro que foi condenado em 2013 pelo assassinato de Eliza Samudio, abordou diversos temas, incluindo sua paternidade, ressocialização, questões sobre pensão e sua trajetória profissional, em uma conversa realizada nesta quarta-feira (16/7) com a advogada Mariana Migliorini, que o defendeu legalmente. O foco da discussão foi a relação com seu filho, Bruninho Samudio, concebido com a vítima.
O ex-atleta explicou que o impacto do crime de 2010 na vida de seus filhos foi um fator determinante para sua decisão de abandonar a carreira após cumprir sua pena de dez anos em regime fechado. “Saí da prisão há seis anos e estou tentando recomeçar”, disse ele.
Bruno relatou suas tentativas de retornar ao futebol, mas reconheceu que não conseguiu: “Percebi que não conseguia retomar minha antiga profissão e tive que buscar novos caminhos para conseguir trabalhar. Atualmente, já estou empregado”, afirmou, lembrando de suas passagens por clubes como Boa Esperança, Atlético Carioca, Poços de Caldas e Rio Branco.
“Hoje, estou bastante afastado do futebol e já nem assisto mais. Uma das razões que me levou a não continuar na carreira foi o impacto que isso teria sobre meus filhos. Até quando eles vão pagar por algo que fiz no passado? Fui eu quem cometeu o erro, e eles não merecem isso. Por isso, quis protegê-los. Considero isso uma covardia”, comentou.
Bruno é pai de Bruna Vitória, 18 anos, e Maria Eduarda, 17, do seu primeiro casamento com Dayanne Rodrigues, além de Bruninho, 15, de sua relação com Eliza Samudio, e as duas filhas mais novas, Isabela, 7, e Isadora, a caçula, com sua esposa Ingrid Calheiros, com quem se casou em 2017.
Ele também revelou que tenta se aproximar de Bruninho, que nasceu meses antes do crime. O jovem seguiu os passos do pai e hoje é goleiro nas categorias de base do Botafogo. Segundo Bruno, Bruninha, sua filha mais velha, está ansiosa para conhecê-lo. “Ela tem muita vontade de conhecê-lo”, compartilhou no diálogo.
“Um dia, a vida nos colocará frente a frente. Esse é o maior desafio que enfrento. Será uma situação delicada, mas estou preparado para explicar e dar satisfação ao Bruninho. Ele é a única pessoa a quem sinto que devo isso”, acrescentou.
Entretanto, Bruno afirmou que a avó materna de Bruninho, mãe de Eliza, “cortou esse vínculo” assim que soube do contato. O ex-goleiro também comentou sobre as alegações da ex-sogra em relação à pensão. Sônia Moura alega que ele deve cerca de R$ 90 mil em pensão ao filho por três anos, o que Bruno contesta.
“Estão me pedindo um valor exorbitante de pensão. Como posso pagar R$ 100 mil, R$ 200 mil, R$ 300 mil? Minha situação financeira hoje é bem diferente. Inclusive, já solicitei uma revisão desse valor. Preciso pagar o que é justo e que esteja dentro da minha realidade. Se estou ganhando dois salários mínimos, como posso arcar com uma pensão equivalente a dois salários mínimos?”