Recentemente, a novela turca “Força de Mulher” chegou ao seu desfecho na Record. Iniciada com expectativas modestas no ano passado, a produção surpreendeu a emissora, registrando picos de audiência que a colocaram em destaque. Com frequência, “Força de Mulher” alcançava 8 ou 9 pontos, de acordo com dados da Kantar Ibope na Grande São Paulo, índices que as novelas bíblicas não conseguiam atingir há tempos.
Com o lançamento de “Paulo, O Apóstolo” na segunda-feira, a audiência despencou para 6 pontos, o que indica que quase 25% dos telespectadores optaram por mudar de canal ou recorrer a plataformas de streaming.
Embora as novelas bíblicas mantenham um público fiel, já faz algum tempo que se percebe um limite para esse gênero, que se mostra difícil de ultrapassar. O êxito de “Força de Mulher” ressalta que os telespectadores da Record estão abertos a novelas contemporâneas, mas a emissora parece relutar em reconhecer essa demanda.
Sob a direção de Cristiane Cardoso, filha do Bispo Edir Macedo, as tramas não religiosas foram gradualmente sendo eliminadas, em uma tentativa de transformar a Record em um veículo de mensagens bíblicas. Essa estratégia resulta na perda de audiência, que acaba voltando-se para as produções da Globo, e na queda da Record, que não consegue atrair os espectadores interessados em histórias atuais.
Além disso, a escolha de exibir apenas tramas inspiradas na Bíblia impacta negativamente o faturamento do canal, uma vez que esses folhetins limitam a inserção de merchandising.
Não faz muito tempo, a Record se destacou ao investir em teledramaturgia, produzindo novelas de grande sucesso como “Prova de Amor”, “Amor e Intrigas” e “Bela, a Feia”, que certamente ressoariam com um público mais conservador que a emissora busca agradar. É compreensível que sob a gestão de Cristiane Cardoso não haja espaço para abordagens ousadas, como em “Chamas da Vida”, que tratou de pedofilia, ou “Vidas em Jogo”, que apresentava uma personagem transexual. Contudo, a Record precisa reconsiderar sua abordagem e reabrir espaço para tramas contemporâneas. Se a emissora não perceber que uma teledramaturgia diversificada é crucial para atrair público e aumentar a receita, corre o risco de se tornar irrelevante.