O renomado autor Lauro César Muniz, de 89 anos, conhecido por suas contribuições significativas à teledramaturgia da Globo, compartilhou sua visão sobre a situação atual dos folhetins da emissora.
Durante uma entrevista à coluna Gente, no canal do YouTube da revista Veja, Muniz expressou sua preocupação ao afirmar que a dramaturgia da Globo enfrentou um “retrocesso”. Ele lamentou a diminuição da qualidade das novelas que ocupam o horário nobre: “É triste perceber que houve uma queda na qualidade das telenovelas que estão sendo exibidas atualmente. Isso me entristece”, comentou.
Embora reconheça a presença de “autores talentosos” na cena atual, Muniz enfatizou a impressão de um declínio geral na qualidade dos roteiros. “Já assisti a trabalhos anteriores de alguns autores que eram excepcionalmente bons, e hoje percebo uma regressão significativa. O nosso passado, com toda a humildade, foi realmente notável. Tivemos grandes criadores e colegas incríveis que ousavam inovar e explorar novos caminhos.”
Ele ressaltou a importância de os roteiristas evoluírem seus personagens ao longo das histórias. “Atualmente, os enredos parecem se repetir excessivamente e, ao chegarmos à metade, já são previsíveis como no início… É essencial que a estrutura das novelas mude conforme a trama avança. O público deseja rever certos elementos, mas também anseia por transformações, oferecendo aos personagens novas direções.”
Muniz, que também desenvolveu trabalhos na Record, comentou sobre a abordagem da emissora em relação à religião na teledramaturgia. “Atualmente, a Record parece mais preocupada em promover uma narrativa religiosa, o que considero lamentável. Essa abordagem não reflete a realidade do país. Eles estão mais focados em estabelecer uma visão religiosa. Isso não é positivo, assim como não é benéfico impor uma visão marxista. A telenovela deve ser construída com consciência.”
Lauro César Muniz é autor de inúmeras obras marcantes na televisão brasileira. Na Globo, ele criou produções como “Espelho Mágico” (1977), “O Salvador da Pátria” (1989), “Perigosas Peruas” (1992), “Sonho Meu” (1993) e “Chiquinha Gonzaga”. Na Record, suas obras incluem “Cidadão Brasileiro” (2006), “Poder Paralelo” (2009) e “Máscaras” (2012).