Vestido com batina, chapéu de vaqueiro e segurando um violão, Alessandro Campos converteu a combinação de religiosidade e música sertaneja em uma fonte de renda impressionante. Popularmente chamado de “padre sertanejo”, ele está prestes a receber R$ 975 mil por três apresentações nas festividades juninas da Bahia.
Desde pequeno, Alessandro já mostrava inclinação para a vida religiosa. Nascido em 17 de fevereiro de 1982, em Guaratinguetá, São Paulo, ele começou a celebrar missas fictícias aos sete anos, usando suco de groselha e bolachas como substitutos dos elementos sagrados. Aos 13 anos, ingressou no seminário e obteve seu diploma em Teologia pela Faculdade de Teologia no Tabor, em Mogi das Cruzes. Durante esse período, também serviu no Exército Brasileiro na Academia das Agulhas Negras e foi ordenado padre em 2007, aos 24 anos.
Sua carreira religiosa inclui o trabalho como capelão no Colégio Militar de Brasília e sua atuação na Arquidiocese Militar até 2011. Foi nesse período que começou a incorporar a música sertaneja em suas missas, ganhando a atenção de fiéis e militares.
Após retornar à diocese de Mogi das Cruzes em 2014, Campos expandiu seu trabalho para além das igrejas, recebendo permissão do bispo Dom Pedro Luiz Stringhini para realizar shows e apresentar programas de rádio e televisão. A fusão de música sertaneja, trajes de rodeio e mensagens religiosas o levou a se apresentar em grandes palcos e na TV aberta, com passagens por canais como Rede Vida, TV Aparecida, Gazeta, Rede Século 21 e RedeTV.
Nas plataformas digitais, o padre consolidou sua imagem como artista popular, reunindo mais de 2 milhões de seguidores no Instagram, onde compartilha detalhes sobre seus shows, mensagens de fé e momentos do dia a dia.
Alessandro também se aventurou na literatura, escrevendo livros voltados ao público religioso e de autoajuda. Entre suas publicações estão “Família é tudo igual, só muda de endereço” (2023), “Não aguento mais” (2021), “Aceita que dói menos” (2021), “Quer ser feliz? Ame e perdoe” (2016) e “O segredo da felicidade” (2013).
Na música, já lançou álbuns que combinam mensagens de fé com o estilo sertanejo, incluindo os CDs “Fé na Estrada” (2021), “Deus Sempre Faz o Melhor” (2018), “Deus Nos Fez Para Sermos Felizes” (2016), “Quando Deus Quer, Ninguém Segura – Ao Vivo” (2015), “O Que É Que Eu Sou Sem Jesus?” (2014) e “O Homem Decepciona, Jesus Cristo Jamais” (2012).
Entretanto, sua ascensão à fama também gerou controvérsias. Em 2018, o jornalista Ricardo Feltrin trouxe à tona denúncias de telespectadores, ex-funcionários e internautas, que acusavam o padre de ostentação, maus-tratos a colaboradores e desrespeito a idosos durante suas aparições televisivas. As críticas incluíam seu estilo de vestimenta, piadas consideradas inadequadas e a exibição de bens de luxo, como carros importados e até helicópteros. Também houve queixas de consumidores insatisfeitos com produtos vendidos em seus programas.
Na ocasião, Alessandro Campos rejeitou todas as alegações, esclarecendo que “não fez voto de pobreza” e que suas atividades estão em conformidade com as diretrizes da Igreja Católica. Ele também negou ter ofendido idosos, afirmando que suas brincadeiras são bem recebidas pelo público.
Recentemente, o padre foi contratado para três shows nas festas de São João da Bahia, programados para os dias 10, 14 e 21 de junho nas cidades de Campo Formoso, Itatim e Barreiras. O pagamento total dos contratos foi confirmado pelo Painel de Transparência dos Festejos Juninos da Bahia, somando quase R$ 1 milhão. Ele se destaca como o padre com o maior faturamento nas festividades juninas do estado, enquanto o padre Fábio de Melo, também contratado, receberá R$ 600 mil por dois shows. O maior cachê, no entanto, pertence a Wesley Safadão, que receberá mais de R$ 3 milhões.