Hoje, das 14h às 16h30, será realizado o velório de Ubirajara Félix do Nascimento, conhecido como Bira Presidente, na Capela 9 do Cemitério Jardim da Saudade, localizado em Sulacap, no Rio de Janeiro. Ele faleceu no último sábado à noite, aos 88 anos, devido a complicações provocadas pelo câncer de próstata e Alzheimer.
O sambista estava internado no Hospital da Unimed Ferj, na Barra da Tijuca, onde apresentava um “quadro clínico delicado”, conforme comunicado divulgado no início da semana. Bira deixa duas filhas, dois netos e uma bisneta. Informações sobre o sepultamento do artista ainda não foram divulgadas.
Bira foi uma figura emblemática do samba, tendo sido um dos fundadores do renomado bloco Cacique de Ramos e do grupo Fundo de Quintal. Sua contribuição ao Cacique de Ramos foi fundamental para moldar não apenas o bloco, mas também o samba, transformando o Doce Refúgio em um espaço cultural de grande importância. O Fundo de Quintal, por sua vez, revolucionou a linguagem do samba, inspirando inúmeras gerações e redefinindo a roda de samba, conforme postou o bloco carioca em suas redes sociais.
Nascido no Rio de Janeiro em 23 de março de 1937, Bira cresceu em um ambiente musical, sendo filho de uma mãe de santo e um serralheiro, e teve seu primeiro contato com o samba através do pai, que frequentava rodas de samba e choro ao lado de grandes nomes como Donga e Pixinguinha. Em janeiro de 1961, ele fundou o Grêmio Recreativo Cacique de Ramos, um dos blocos mais tradicionais do Carnaval carioca, que já contou com a participação de artistas como Beth Carvalho e Zeca Pagodinho. A sede do Cacique, em Olaria, abriga duas tamarineiras que são conhecidas por realizar desejos e abençoar carreiras no samba.
Bira também foi responsável por promover a paz entre o Cacique de Ramos e seu maior rival, o Bafo da Onça, que havia sido fundado cinco anos antes e via o crescimento de Bira como uma ameaça. Em 1967, após um aumento de rivalidade e conflitos entre foliões, Bira tomou a iniciativa de visitar a sede do Bafo da Onça, onde, com coragem, afirmou que via a rivalidade como uma fonte de inspiração. Essa abordagem resultou em uma parceria entre os blocos.
Em 1979, nasceu o grupo Fundo de Quintal, que já se apresentava no Cacique de Ramos antes de ser convidado para o show “Samba é no fundo de quintal” no Teatro Opinião, o que originou seu nome. A formação inicial do grupo incluía Bira no pandeiro, seu irmão Ubirany no repique de mão, e outros grandes nomes do samba. O Fundo de Quintal foi um marco na história do samba, consolidando o que hoje conhecemos como “pagode de mesa”, a configuração de roda de samba mais popular atualmente.