Reconhecida por ter um dos fã-clubes mais engajados nas redes sociais, Elizabeth Jhin decidiu não retornar ao mundo das novelas. “Em 2021, a Globo não renovou meu contrato devido à nova política de contratação de autores e atores por obra específica. Não me interessei em apresentar novas sinopses e recusei algumas propostas que surgiram”, revela. “Após 32 anos de trabalho, optei por um merecido descanso.”
Com sua aposentadoria, o público pode revisitar suas obras para relembrar a autora que se destacou por suas novelas com foco na temática espírita. Uma de suas criações mais notáveis, “Além do Tempo” (2015), que nunca foi reprisada na televisão aberta, mesmo com os frequentes pedidos dos fãs, começará a ser reexibida nesta segunda-feira, às 20h05, no Globoplay Novelas (anteriormente conhecido como canal Viva).
“Fiquei muito contente ao saber que ‘Além do Tempo’ será reprisada. Tenho um carinho especial por essa novela, pois consegui abordar a reencarnação de forma direta, acompanhando a trajetória dos personagens no século 19 e no século 21”, comenta a autora.
Para desenvolver “Além do Tempo”, Elizabeth e sua equipe visitaram vinícolas nas cidades gaúchas de Bento Gonçalves e Garibaldi, onde parte da trama se desenrola. “Acredito que uma grande parte do sucesso da novela se deve a essa conexão afetiva que criamos com esses lugares, com as pessoas e com as histórias de cada vinícola, suas origens”, reflete.
Durante sua exibição original, “Além do Tempo” conquistou tanto o público quanto a crítica. A autora recorda que a trama levou muitos espectadores a se conectarem pela primeira vez com a espiritualidade, buscando-a para compartilhar testemunhos sobre como a novela impactou suas vidas. “Uma jovem de Portugal me enviou uma carta relatando as mudanças que a descoberta da espiritualidade proporcionou à vida de sua mãe, que tinha uma doença terminal e acompanhava a novela”, revela.
Apesar de seu sucesso, “Além do Tempo” foi a penúltima novela com temática espírita produzida pela Globo. Desde então, a emissora apenas lançou “Espelho da Vida” (2018), também de autoria de Elizabeth, e não houve outras produções sobre a doutrina espírita que tenham recebido sinal verde para ir ao ar.
Uma das teorias para essa nova postura da emissora é o crescimento do número de adeptos das diversas vertentes do protestantismo no Brasil. No entanto, Elizabeth não concorda com essa visão. “Não creio que a população evangélica seja um obstáculo para a Globo produzir uma novela espírita. A maioria dos brasileiros possui uma religiosidade que não se limita a um rótulo específico”, afirma.
“A espiritualidade não é exclusiva de nenhuma religião. Ela faz parte de nossas vidas, mesmo quando optamos por não reconhecê-la. O brasileiro carrega isso profundamente em sua cultura e cotidiano. Há um desejo, quase uma necessidade, de encontrar significado na vida e de transmitir valores aos filhos. Um exemplo claro disso é o sucesso que a reprise de ‘A Viagem’ tem alcançado.”