Marieta Severo, aos 78 anos, fez uma significativa doação de materiais que possibilitaram a construção de cinco novas casas no Retiro dos Artistas, um abrigo para artistas idosos em situação de vulnerabilidade localizado no Rio de Janeiro.
A doação não apenas ajudou a diminuir a lista de espera por vagas no Retiro, mas também possibilitou a criação de uma nova vila, como explicou Cida Cabral, a administradora do local. “Os moradores passaram a chamar este espaço de Vila Marieta, e fizemos uma plaquinha em homenagem a quem tanto nos apoia”.
Durante um evento em 2023, que celebrou uma parceria entre o Retiro e o Sesc, Marieta compartilhou sua conexão com a instituição, que ela apoia há muitos anos. “Todos nós, artistas, precisamos ter consciência e estar presentes aqui. Este é um lugar que pode se tornar nosso lar no futuro. Quer dizer… Estou cada vez mais perto disso. Precisamos ter essa consciência e estar envolvidos. Hoje é um momento de grande celebração por esta parceria de uma década”, afirmou Marieta em entrevista ao Splash.
Um dos beneficiados pela iniciativa foi Marcos Oliveira, conhecido como Beiçola da série “A Grande Família” (Globo, 2001-2014). Ele e Marieta trabalharam juntos durante os 13 anos em que o seriado esteve no ar. “A chegada de um novo morador, como o Marcos, gera visibilidade. Isso provoca um impacto positivo, fazendo com que outros artistas voltem sua atenção para a instituição e reconheçam sua importância”, explicou Cida.
Ela detalhou que existe um processo seletivo para os artistas que desejam residir no local. Após o primeiro contato, que pode ser feito pelo próprio artista ou por amigos e familiares, a equipe técnica avalia a situação para determinar se ele terá uma vaga quando disponível. “Uma entrevista é agendada com o candidato, e buscamos entender a real condição de vulnerabilidade do artista naquele momento”.
Atualmente, nove artistas estão na fila por uma vaga. Cida mencionou que ainda há espaço para a construção de mais três casas: “Estamos à espera de que algum artista ou empresário queira colaborar na construção dessas casas e, assim, diminuir a fila de nove para seis”.
No caso de Marcos Oliveira, outras duas casas já tinham sido oferecidas a ele antes de o Retiro conhecer suas dificuldades financeiras. “Por insegurança e outros fatores, ele não veio. Agora, a casa que ele ocupa é a quinta construída com a ajuda de Marieta. Coincidentemente, uma amiga dele entrou em contato recentemente, e unimos o útil ao agradável. Nada mais justo que oferecer uma casa doada pela Marieta ao Marcos. Ele ficou impressionado com a infraestrutura”.
Entre os atuais residentes, estão artistas que deixaram sua marca em diversas áreas, tanto na frente das câmeras quanto nos bastidores. Iris Bruzzi, atriz, ex-vedete e escritora, é uma das mais conhecidas. Outros nomes notáveis incluem o casal de músicos Flora Purim e Airto Moreira, além do renomado percussionista Robertinho Silva e do compositor Sergio Natureza, conhecido por suas letras gravadas por grandes figuras da MPB.
“As pessoas ficam surpreendidas ao conhecer nossa estrutura e o cuidado que temos com os artistas: seis refeições diárias, plano de saúde, equipe técnica composta por médicos, enfermeiros, nutricionistas, psicólogos, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais, além de passeios e atividades internas. Somos uma instituição com mais de 100 anos, atendendo artistas em situação de vulnerabilidade, seja financeira ou psicológica”, comentou Cida Cabral, administradora do Retiro dos Artistas.
O Retiro é sustentado principalmente por doações da sociedade civil, incluindo artistas ainda em atividade. Qualquer pessoa pode contribuir através do site da instituição. Eles também estabelecem parcerias, como a com o Sesc. Alguns residentes também colaboram, conforme suas condições financeiras.
Recentemente, o espaço inaugurou um bistrô e um brechó abertos ao público, além de eventos para arrecadar fundos, como a tradicional festa junina, que foi cancelada na pandemia e não ocorrerá neste ano devido a reformas. “Nossa parceria com o Sesc está prestes a completar um ano, e temos um grande projeto de melhorias em andamento. Esperamos que a festa junina retorne no próximo ano, assim como nosso teatro entre na programação da cidade”, diz Cida.
Atualmente, o Retiro passa por um período financeiro mais estável, mas que ainda requer vigilância. “As coisas melhoraram, mas ainda enfrentamos dificuldades. A chegada do Sesc foi um grande auxílio, mas dependemos fortemente das doações de pessoas comuns. Às vezes, essas contribuições diminuem. O déficit já foi muito maior, chegando a 50%, e agora, quando há uma queda nas doações, esse déficit fica em torno de 20%”.