O ator Marcello Antony, aos 60 anos, compartilhou sua experiência sobre a adoção de seu filho, que vive com HIV, e a forte ligação que eles formaram. Durante uma entrevista, ele recordou o momento em que mencionou a condição do filho. “Estava em uma conversa e acabei revelando. Isso gerou uma repercussão negativa, como se eu estivesse expondo o Francisco. Nunca tive a intenção de abordar esse tema antes, mesmo com mais de duas décadas desde que tudo aconteceu. No entanto, acreditei que, após tanto tempo, era hora de falar sobre isso”, contou ele a Valmir Moratelli, em uma entrevista à Veja.
Antony expressou seu desejo de desafiar preconceitos. “Meu filho completou 22 anos, está se tornando um adulto e a minha proposta é justamente desmistificar essa situação, encorajando mais pessoas a adotarem, independentemente da condição da criança. A maioria busca o ‘bebê ideal’, que na verdade não existe”, acrescentou.
Ele também enfatizou a profunda conexão que desenvolveu com o filho. “Não tínhamos noção do que nos esperava. Nunca comentei sobre o vínculo espiritual que sentimos, como se fôssemos almas que se encontraram em outra vida. Do ponto de vista psicanalítico, eu me projetava nele, uma criança vulnerável em busca de amor e proteção, algo que exploro em terapia”, explicou.
Na época, casado com Mônica Torres, Marcello falou sobre a dificuldade em ter filhos biológicos. “Passamos por cinco gestações frustradas, uma delas com três meses. Era um ciclo de tentativas e perdas. Fizemos de tudo para ter um bebê, utilizando várias técnicas, mas sem sucesso. Foi então que decidimos seguir o caminho da adoção.”
Ele destacou que a condição de saúde do filho fez com que ninguém quisesse adotá-lo. “Como ele tinha o gene do HIV, as pessoas hesitavam em adotá-lo. O desembargador acelerou a burocracia e, em apenas um mês, ele já era meu filho legalmente. Foi um processo muito rápido, considerando as circunstâncias, pois normalmente isso leva anos”, recordou.