Edson Bernardo de Lima, conhecido como Edson Café e ex-membro do grupo Raça Negra, faleceu em São Paulo aos 69 anos, sendo encontrado inconsciente em uma calçada na Zona Leste no último sábado.
Quem foi Edson Café?
Café integrou o Raça Negra durante o auge do grupo nos anos 90, permanecendo até 2005 como violonista e percussionista. Ele também foi responsável pela composição de “Oi Estou Te Amando” e outras sete músicas durante o período de maior sucesso da banda, que teve hits como “Cigana” e “Cheia de Manias” entre as mais tocadas nas rádios. Além disso, escreveu canções para outros artistas do pagode, como o grupo “Só Pra Contrariar”.
Em 6 de outubro de 1994, o músico sofreu um AVC que resultou em sequelas motoras do lado esquerdo do corpo. Embora não conseguisse tocar seus instrumentos como antes, continuou na banda por mais uma década, tocando pandeiro com uma das mãos. No entanto, as limitações físicas afetaram sua saúde emocional, levando-o a um estado de depressão. Edson acabou se afastando do Raça Negra, mergulhando em um ciclo de dependência de álcool e drogas. Ele compartilhou com a Record TV que sua vida havia mudado radicalmente, passando de uma fase de sucesso e conforto financeiro para dificuldades.
Em 2016, uma equipe de reportagem da Record encontrou Café vivendo nas ruas, usando uma bengala para se locomover. Ele refletiu sobre sua situação, dizendo: “Antigamente, eu dormia em hotéis cinco estrelas. Hoje, durmo na praça olhando para as estrelas. Tem dias que almoço e não janto. Tem dias que janto e não almoço.”
Uma admiradora do Raça Negra, chamada Xênia Alves, tentou ajudá-lo a sair da rua, oferecendo abrigo em sua casa. Contudo, Café deixou o lar após algumas semanas, mencionando que a dependência era um “mal que lhe fazia bem”. Em uma entrevista em 2021, ele expressou que o uso de substâncias o ajudava a escapar das frustrações da vida.
De acordo com o SBT News, o músico passou por 12 internações em clínicas de reabilitação, contando com o suporte da fã e de seus filhos. Na última internação, recebeu a visita de Luiz Carlos, vocalista do Raça Negra, que se dispôs a ajudar na construção de um espaço para Café na casa da fã, mas desavenças familiares impediram que o projeto fosse realizado.
Após retornar às ruas, Café tentou recomeçar alugando uma casa. Enfrentando dificuldades financeiras, já que os direitos de suas músicas não eram suficientes para cobrir suas despesas, ele sobrevivia com a ajuda do governo e pedindo dinheiro nas ruas. Mesmo assim, continuava escrevendo músicas em um caderno, mesmo em seus últimos anos.
O músico guardava ressentimentos em relação aos ex-companheiros do Raça Negra. Em uma entrevista ao Câmera Record em 2020, ele revelou que a discórdia estava relacionada à sua dependência química. “Disseram que não me dariam dinheiro porque sabiam que eu gastaria tudo com drogas. Não importa, o dinheiro é meu, eu faço o que quero. Se eu tenho direito de receber, eu quero receber”, afirmou.
Atualmente, Café estava novamente vivendo nas ruas, após anos dividindo seu tempo entre o Rio e São Paulo. A família informou à Record que a causa de sua morte teria sido um infarto, embora essa informação ainda não tenha sido confirmada pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo.