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‘Laços de Família’ 25 Anos: A Relevância das Novelas Crônicas na Atualidade

Imagem: Reprodução/Instagram @loracarola

Há 25 anos, a novela “Laços de Família” fez sua estreia, solidificando o estilo realista do autor Manoel Carlos, que já havia conquistado o público com os sucessos “História de Amor” (1996) e “Por Amor” (1998).

Com “Laços de Família”, Manoel Carlos aprofundou sua forma singular de criar folhetins, combinando uma visão sensível do cotidiano das classes média e média alta. Ele desenvolveu uma crônica social, ao mesmo tempo em que explorava tramas ricas em questões comportamentais, repletas de personagens complexos e contraditórios.

Assim, Maneco, como era conhecido nos bastidores da Globo, alternava entre cenas do dia a dia e momentos de intensa carga dramática, onde as nuances da natureza humana eram minuciosamente analisadas. As vilãs apresentavam características humanas, as heroínas cometiamm falhas, e os protagonistas eram marcados pela hesitação. Os temas de suas histórias reverberavam nas ruas, nas conversas de bar e nos encontros familiares.

Manoel Carlos tinha a habilidade de criar narrativas identificáveis, onde o maniqueísmo, tão comum nas novelas, não predominava. Ao contrário, seu estilo evitava a abordagem panfletária, característica das produções atuais, fazendo com que as causas servisse à trama e não o contrário.

Na era das redes sociais e do consumo acelerado de informações, será que o estilo mais contemplativo de Manoel Carlos poderia ainda encontrar espaço na televisão contemporânea? É certo que, se estivesse em atividade, ele precisaria ajustar um pouco o ritmo de suas histórias, que se desenrolavam de maneira mais lenta. Esse estilo, que foi uma marca de sua narrativa, praticamente desapareceu nos últimos anos. Atualmente, vemos raramente cenas reflexivas ou diálogos que façam referências ao cotidiano, como as que protagonizavam Helena ou Miguel (Tony Ramos) em “Laços de Família”.

Entretanto, o legado de Manoel Carlos é atemporal e a complexidade de seus personagens e a profundidade das relações humanas que ele retratava ainda fazem falta nas novelas atuais. Seu texto examinava a intimidade familiar do brasileiro, gerando uma forte identificação com o público. Mesmo utilizando o Leblon como um microcosmo da sociedade, ele conseguia contar histórias universais, abordando sentimentos e emoções que ainda ressoam com o público de hoje. O sucesso da recente reprise de “Mulheres Apaixonadas” (2003) no “Vale a Pena Ver de Novo” é uma prova disso.

Embora a forma como consumimos novelas tenha mudado e a atenção do público esteja cada vez mais fragmentada, o poder de uma narrativa bem construída e que toca o coração dos espectadores continua sendo o elemento essencial para qualquer produção na teledramaturgia brasileira. Nesse sentido, Manoel Carlos permanece mais atual do que nunca, oferecendo valiosas lições para os novos autores que estão surgindo no cenário.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade