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Esposa de Poze critica governador: ‘É para isso que a polícia do Rio serve?’

Imagem: Reprodução/Instagram

Vini Noronha, de 20 anos, questionou Claudio Castro, governador do Rio de Janeiro, após se tornar alvo de uma operação da polícia civil que investiga a lavagem de dinheiro relacionada à liderança do Comando Vermelho.

O que ocorreu: Viviane, utilizando a conta do marido, já que a sua está temporariamente desativada, expressou seu descontentamento. “Hoje, novamente, minha casa foi invadida e eu, minha família e amigos fomos tratados como criminosos, com nossa privacidade desrespeitada”, relatou.

Ela se perguntou: “Alguém realmente acredita que essa operação foi um acaso? Justamente no dia em que soltaram o Marlon, um dia após eu denunciar as atrocidades cometidas pela polícia, o desaparecimento dos ouros e a humilhação racista que vivenciamos no dia da prisão do Marlon?” A declaração de Viviane Noronha também incluiu uma menção ao governador: “É para isso que a polícia do Rio existe? Para perseguir trabalhadores e moradores de favela? Porque aqui, ninguém é bandido.”

Viviane Noronha se tornou alvo de uma operação da polícia civil do Rio de Janeiro, que investiga a lavagem de dinheiro ligada à liderança do Comando Vermelho, que teria movimentado cerca de R$ 250 milhões. Ela e sua empresa estão sendo apontadas como beneficiárias diretas de recursos da facção, atuando como “laranjas” para ocultar a origem criminosa do dinheiro, que foi reinvestido em armas, drogas e na ampliação do controle territorial da facção em várias comunidades.

As investigações financeiras indicam que valores provenientes do tráfico de drogas e da lavagem de dinheiro da facção foram direcionados a contas bancárias associadas à influenciadora, tornando-a um dos principais focos do inquérito. A polícia descreveu a posição de Vivi no esquema como “simbólica”, representando a conexão entre o tráfico e o mundo digital, conferindo uma aparência de legitimidade a valores oriundos do crime organizado e ampliando a presença da narcocultura nas redes sociais.

A operação inclui ordens de bloqueio e indisponibilidade de bens de 35 contas bancárias, com mandados de busca e apreensão sendo cumpridos nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo. O esquema também envolve indivíduos como Philip Gregório da Silva, conhecido como “Professor”, que foi encontrado morto no último domingo. Ele estava foragido há seis anos e há suspeitas de suicídio.

O “Professor” organizava eventos como o “Baile da Escolinha”, que, segundo a polícia, servia como uma “ferramenta de dominação cultural” e captação de recursos para o tráfico. Investigações adicionais revelaram que um restaurante em frente ao local do baile funcionava como um ponto de lavagem de dinheiro, atuando como um centro logístico e símbolo de poder do Comando Vermelho.

Uma produtora de bailes funk também está sob investigação, sendo considerada uma operadora de lavagem de dinheiro, com os eventos servindo como pontos de venda de drogas. As autoridades identificaram que o responsável pela empresa e a própria firma recebiam recursos financeiros provenientes de operadores do Comando Vermelho.

Um segurança do traficante Edgar Alves de Andrade, conhecido como “Doca”, líder da facção no Complexo do Alemão, também foi identificado nas análises financeiras. Outro nome mencionado é de um indivíduo com histórico no sistema financeiro informal ligado à facção, que é procurado pelo FBI por suspeitas de colaboração com a Al-Qaeda.

Investigação sobre Poze do Rodo: Segundo a Polícia Civil, as investigações revelam que o cantor realizava shows apenas em áreas sob o domínio do CV, com a segurança dos eventos sendo garantida pela presença de traficantes armados com fuzis. O conteúdo musical do artista também está sob análise, pois suas letras supostamente promovem o tráfico de drogas, o uso ilegal de armas e incitam conflitos armados entre facções rivais.

A defesa do cantor alegou em um pedido de habeas corpus que sua prisão foi ilegal e desproporcional, caracterizando uma violação da liberdade de expressão. “A atuação da Polícia Civil do Rio de Janeiro é seletiva e demonstra a perseguição à arte periférica. Se ele fosse um artista da classe média, essa prisão não teria ocorrido. O cantor não ultrapassou os limites da liberdade de expressão, pois retrata a realidade dos morros cariocas”, argumentou a defesa.

De acordo com a equipe jurídica, o cantor foi algemado apesar de ter sido preso pacificamente em casa, sem oferecer resistência ou representar risco de fuga ou ameaça à polícia. O uso de algemas, nesse contexto, foi considerado como uma ação de caráter “vexatório e midiático”, em desacordo com a Súmula Vinculante nº 11 do STF.

Viviane celebrou ontem a decisão da Justiça que determinou a soltura de Poze, afirmando: “MC não é bandido”.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade