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A equipe de Poze do Rodo defende que prisão é uma ‘criminalização da expressão artística periférica’

Imagem: AgNews

Em uma postagem nas redes sociais, a equipe de Poze do Rodo se pronunciou sobre a detenção do artista, que está sendo investigado por suposta apologia ao crime e por vínculos com a facção criminosa Comando Vermelho. A nota afirma que Poze foi pego de surpresa pelo mandado de prisão e pela apreensão de objetos em sua casa. “As acusações de associação ao tráfico e apologia ao crime são completamente infundadas; Poze é um artista que conquistou seu espaço na vida através da música”.

Diversos músicos, atores e diretores têm obras que retratam situações que poderiam ser consideradas criminosas, mas não enfrentam processos, pois se tratam de criações ficcionais. A prisão de Poze, ou de qualquer MC nesse contexto, é, na verdade, uma forma de criminalização da arte periférica, refletindo uma perseguição e mais um episódio de racismo e preconceito institucional. A maneira absurda como Poze foi abordado é uma evidência clara disso.

O que ocorreu
O artista foi detido no Recreio dos Bandeirantes, na zona oeste do Rio de Janeiro, por policiais civis da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE). Segundo a polícia, as investigações indicam que Poze realizava shows exclusivamente em áreas sob domínio do CV, com a segurança dos eventos sendo garantida pela presença ostensiva de traficantes armados com armas de grosso calibre, como fuzis.

A operação se baseia no cumprimento de um mandado de prisão temporária emitido pela Justiça, após a coleta de evidências que sugerem que os shows do artista são financiados pela organização criminosa Comando Vermelho, contribuindo para o fortalecimento financeiro da facção por meio do aumento do consumo de drogas nas comunidades onde as apresentações ocorrem. A Polícia Civil, em nota enviada ao site Splash, informou que um desses eventos aconteceu no dia 19 de maio deste ano, na comunidade da Cidade de Deus, com a presença de diversos traficantes armados. Segundo as investigações, o show ocorreu poucas horas antes do falecimento do policial civil José Antônio Lourenço, que fazia parte da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), em uma operação na comunidade.

As letras do repertório musical do cantor também estão sendo analisadas, uma vez que, segundo as autoridades, elas fariam apologia ao tráfico de drogas, ao uso ilegal de armas e incitariam conflitos armados entre facções rivais. A Polícia Civil destaca que as letras ultrapassam os limites constitucionais da liberdade de expressão e artística, configurando crimes graves de apologia ao crime e associação ao tráfico de drogas. As investigações seguem em andamento para identificar outros envolvidos e os financiadores diretos dos eventos considerados criminosos.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade