Por: Ana Claudia Paixão – via Miscelana
É difícil escapar das críticas em relação às declarações de Meghan Markle e do príncipe Harry, mesmo quando eles não estão se queixando — algo que, convenhamos, ocorre raramente. No entanto, uma constante em suas ações é que 2025 está sendo um ano em que buscam se “definir” — ou, pelo menos, Meghan está.
Após cinco anos de “liberdade”, suas queixas em relação à Família Real têm sido o foco principal de suas aparições. Contudo, Meghan continua a se esforçar nas redes sociais, promovendo seu novo site, a marca As Ever, a série da Netflix “With Love, Meghan” e seu podcast “Confessions of a Female Founder”. Como sempre, ela se expõe a críticas severas sobre cada palavra que diz, uma realidade que ficou clara em sua recente entrevista à Fast Company.
Durante a conversa, Meghan fez uma revelação que rapidamente ganhou destaque: “Se eu tivesse que escrever meu currículo, não saberia nem como me chamar.” Essa afirmação, que pode parecer uma demonstração de humildade, acaba refletindo uma das críticas mais frequentes em relação à sua imagem pública — e, possivelmente, à sua jornada ao lado do príncipe Harry: quem são, de fato, e o que desejam ser? Mais importante ainda, qual é a verdadeira contribuição deles?
Curiosamente, essa declaração surgiu poucas semanas após Meghan ter rejeitado o rótulo de “influencer” em uma entrevista à People, onde afirmou: “Eu me vejo como empreendedora e fundadora. Se a marca acabar sendo influente, ótimo.” A intenção parece clara: distanciar-se da imagem de uma celebridade comum. Contudo, suas ações continuam a gerar confusão.
Meghan, que insiste em manter seu título de duquesa mesmo em uma nação sem monarquia, agora prefere ser chamada de “fundadora” — um termo que ela usa com entusiasmo, mas que carece de substância. “Sou fundadora da As Ever.” Tudo bem, mas o que isso realmente significa na prática? Fundar algo não implica, por definição, um envolvimento contínuo, a não ser que se esteja sempre começando do zero — ou simulando estar ocupada com algo que nunca se concretiza. Ao refletir, talvez essa incerteza seja a verdadeira posição da ex-atriz, que já tentou várias iniciativas que fracassaram até chegar à atual.
Essa incessante busca por identidade — ou, mais precisamente, por uma marca pessoal — revela uma inquietação quase juvenil. Aos 43 anos, Meghan parece estar em uma jornada de autodescoberta típica da adolescência. Isso é o que mais incomoda. Compartilhar que passou a noite em claro abraçando seu filho e, por conta disso, se tornou “uma fundadora melhor, uma chefe melhor, uma contratante melhor” soa menos como um argumento convincente e mais como uma autojustificativa emocional. Não há nada de errado em ser uma mãe presente, mas transformar isso em um argumento de gestão se aproxima de um marketing emocional forçado.
Na mesma conversa, Meghan compartilhou que seu filho Archie, de seis anos, perdeu o primeiro dente — e que ela mesmo encenou o papel da fada do dente. Um gesto adorável de mãe, mas que novamente foi utilizado para ilustrar como ela estaria mais conectada com sua “missão empresarial”.
Não surpreende que haja um crescente desconforto entre os royalistas devido à insistência do casal em manter certos símbolos e posturas da realeza, enquanto tentam aparentar independência. Mesmo após a renúncia oficial às funções reais em 2020, suas estratégias de imagem e marketing — agora geridas por equipes de relações públicas de alto nível — continuam a seguir o modelo da monarquia: discursos cuidadosamente elaborados, títulos preservados e aparições organizadas como eventos institucionais. A crítica central é que o casal busca o brilho da coroa sem arcar com suas responsabilidades.
Ao final, a dúvida que Meghan mesma levanta — “não sei como me chamaria” — não soa como uma reflexão filosófica sobre a identidade feminina. Parece mais uma confissão involuntária: Meghan Markle ainda não parece ter decidido quem é, o que representa ou qual papel deseja desempenhar. O casal Sussex, que tanto lutou por liberdade ao se afastar da Família Real, parece agora preso em um ciclo sem fim de rebranding pessoal.
E talvez o aspecto mais intrigante (ou frustrante) seja justamente isso: ao tentar controlar sua própria narrativa a todo custo, Meghan acaba revelando que ainda não possui uma. Pelo menos, não uma que se sustente além de metáforas desgastadas, títulos instáveis e promessas de impacto.