“Rita Lee: Mania de Você”, um documentário que traça a trajetória da icônica cantora, é repleto de qualidades. No entanto, antes de explorarmos os méritos dessa produção, é fundamental abordar o impacto que a visualização desse filme provoca em nós. Embora a intenção de “Rita Lee: Mania de Você”, disponível na plataforma Max, não tenha sido expor a monotonia que permeia nossa cena cultural, é quase impossível não refletir sobre nossa carência de artistas originais, provocativos e que saibam traduzir com sensibilidade e humor a complexidade da experiência humana, como Rita Lee fez.
Com sinceridade e coragem, o documentário revisita a vida da cantora, destacando aspectos de sua intimidade e de sua vida familiar, que tiveram grande influência em sua obra. Mais do que simplesmente conhecer a artista, o filme, que apresenta um rico acervo de vídeos caseiros, nos permite adentrar no cotidiano de Rita, Roberto de Carvalho e seus filhos, oferecendo uma visão do ser humano, da esposa e da mãe que vive longe dos holofotes.
Os momentos retratados no lar são tocantes, sem jamais se tornarem clichês. As declarações de Beto, João e Antônio sobre sua relação com a mãe revelam a complexidade de Rita Lee, enquanto os relatos de Roberto de Carvalho evidenciam a profundidade e a influência do amor que os uniu, em uma vida marcada pela intensidade e pela liberdade.
Ao longo dos 82 minutos do filme, Rita Lee é desnudada, e à medida que exploramos sua personalidade e acompanhamos suas criações artísticas, também temos a chance de revisitar a história recente do Brasil. A carreira de Rita foi marcada pela ditadura militar, que censurou suas letras e tentou miná-la de diversas maneiras. Contudo, ela não apenas sobreviveu, mas também se tornou ainda mais relevante, apesar da injusta perseguição que enfrentou.
Assistir a “Rita Lee: Mania de Você” gera um misto de emoções. Por um lado, há uma profunda tristeza pela ausência da genialidade de Rita Lee entre nós. Por outro, surge um sentimento de felicidade e privilégio por termos convivido no mesmo tempo que ela. Uma conclusão clara que se pode tirar desse documentário é que Rita Lee desafia a crença popular de que ninguém é insubstituível. Sem dúvida, ela é a exceção a essa regra. O Brasil carece de novos ícones como Rita Lee.