Virginia Fonseca, de 26 anos, prestou depoimento à CPI das Apostas em Brasília (DF), atendendo a uma convocação feita pela senadora Soraya Thronicke (Podemos).
Durante sua fala, ela declarou: “Não estou fazendo nada fora da lei […] Se realmente isso é tão prejudicial à população, então que se proíba tudo. Nunca aceitei fazer publicidade para casas de apostas que não estejam regulamentadas.” A oitiva começou por volta das 11h20, e a influenciadora expressou sua gratidão pela oportunidade de esclarecer as dúvidas dos senadores.
Virginia se apresentou: “Sou influenciadora, me tornei mãe, trouxe meus pais para viverem comigo. Durante esse tempo, me tornei empresária e apresentadora. Espero poder esclarecer todas as questões hoje e agradeço a chance de fazê-lo, pois há muitas coisas que não podemos discutir na internet, certo? Acredito que poderei falar aqui hoje, e sou muito grata. Que Deus abençoe nossa audiência, vamos em frente.”
Ela negou a existência da mencionada “cláusula da desgraça” em seus contratos com plataformas de jogos. Conforme uma matéria da Revista Piauí, publicada em janeiro, um contrato dela com a Esporte da Sorte previa o pagamento adicional de 30% sobre as perdas dos usuários em apostas.
“Isso foi divulgado na internet e, por questões de confidencialidade, não pude comentar. Fechei meu contrato com a Esportes da Sorte e, caso eu dobrasse o lucro deles, receberia 30% a mais da empresa. Em nenhum momento isso envolveu perdas. Nunca houve essa cláusula no meu contrato. Eu não recebi nenhuma quantia além do valor pago por publicidade. Isso era algo padrão.”
Virginia também ressaltou que orienta seus seguidores, afirmando seguir as diretrizes do Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) e que nunca prometeu lucros a eles. “Falo por mim. Quando faço um post, deixo claro que é um jogo, onde se pode ganhar ou perder. Menores de 18 anos são proibidos na plataforma. Se alguém tiver qualquer tipo de vício, o recomendado é não participar e jogar com responsabilidade.”
A defesa de Virginia recorreu ao STF, onde uma decisão do ministro Gilmar Mendes permite que ela fique em silêncio sobre perguntas que possam ser incriminatórias. Ela será acompanhada por advogados durante todo o depoimento, conforme solicitado pela defesa. Os advogados argumentaram que, sendo uma figura pública, Virginia teme que a convocação seja usada de forma indevida para prejudicar sua imagem.
Virginia foi convocada devido à sua grande popularidade nas redes sociais, contando com mais de 53 milhões de seguidores no Instagram. A esposa de Zé Felipe já participou de campanhas publicitárias para jogos de azar e apostas online. A senadora Soraya Thronicke defendeu a presença da influenciadora como fundamental para investigar o papel de influenciadores de grande alcance na promoção de jogos de azar e apostas online, visando esclarecer possíveis conflitos éticos e a necessidade de uma regulamentação adequada. Como uma das principais personalidades da internet brasileira, Virginia tem um papel significativo na divulgação de marcas e serviços, incluindo campanhas relacionadas a jogos de azar e apostas online.