Maeve Jinkings, de 48 anos, interpreta Cecília no novo remake de “Vale Tudo” (Globo). Ao contrário da versão original de 1988, a personagem permanece viva e traz à tona discussões sobre a adoção por casais LGBTQIA+.
Mudanças na nova versão
Na reinterpretação de “Vale Tudo”, Cecília está casada com Laís, papel interpretado por Lorena Lima. Juntas, elas gerenciam uma pousada em Paraty (RJ) e enfrentam o tráfico de animais. Cecília vem de uma família de classe média e se tornou uma advogada ambientalista ativa em causas ecológicas. “Cecília é uma figura emblemática para a comunidade LGBT, especialmente considerando que, na versão de 1988, sua morte foi um ponto central”, destaca a atriz.
Segundo Maeve, ainda enfrentamos resistência em relação ao avanço ético, à inclusão e à aceitação da diversidade, mas também se observam progressos. “Em 2025, Cecília não morre; ela vive. A história de Cecília e Laís também aborda o desejo de adotar uma criança, o que traz à tona tensões em um Brasil de 2025 que, apesar de evoluir, continua com uma mentalidade conservadora. Não podemos esquecer isso”, comenta Maeve.
A atriz acredita que a adaptação feita por Manuela Dias corrige um “apagamento” que a personagem sofreu anteriormente. Na primeira cena entre Cecília e Laís, a relação delas é clara, algo que Maeve considera um “grande avanço”. “Em 1988, elas eram retratadas como amigas, e a sugestão de um relacionamento era implícita. Agora, na primeira cena, elas afirmam: ‘Meu irmão ainda não entendeu que sou casada com ela há 10 anos.'”
Maeve enfatiza que é papel da novela e dos artistas dar visibilidade às histórias LGBTQIA+, com respeito e cuidado, mesmo diante de resistências na televisão aberta. “O público da novela das nove é imenso. Existem muitos Brasis coexistindo. Embora avançamos em várias áreas, é essencial aproximar-se com integridade, beleza, alegria e cuidado para se conectar com todos os públicos.”
E quanto a um beijo entre as protagonistas em 2025? “Isso é um grande mistério. Veja, após tantas cenas ousadas entre casais heterossexuais, estamos aqui nos perguntando se haverá um simples beijo. Vamos ver, estou dando um passo de cada vez. Já afirmamos que somos casadas e queremos adotar uma criança, seremos muito afetuosas em cena; quem sabe um beijo não acontece?”, responde Maeve.
Ela e Lorena Lima, sua parceira de cena e uma grande atriz, têm trabalhado com afinco ao lado do diretor artístico Paulinho Silvestrini, de Manuela e da equipe para dar vida a essas personagens… “Nós queremos viver”, como diz o refrão da música “Barato Total”, que é o tema delas, acrescenta Maeve.
Sobre Maeve Jinkings
A atriz nasceu em Brasília, mas passou sua infância em Belém, no Pará, onde sentiu uma “sensação de isolamento em relação ao resto do país”. “Muitas das experiências que me inspiraram a ser atriz foram exibidas na TV, incluindo novelas como ‘Roque Santeiro’, ‘Pedra Sobre Pedra’ e ‘Vale Tudo’. Assisti ‘Vale Tudo’ aos dez anos, e isso me marcou profundamente.”
Maeve fez sua estreia na televisão em “A Regra do Jogo”, mas agora, uma década depois, seu papel mais significativo chega em “Vale Tudo”. “Quando soube que haveria um remake, pensei: ‘Uau, uma obra-prima da teledramaturgia’. Então Paulinho Silvestrini me ligou e me convidou para interpretar Cecília”, relembra a atriz.
No cinema, já participou de diversos filmes independentes, além de produções que ganharam notoriedade nacional, como “Aquarius” (2016) e “Ainda Estou Aqui” (2024). Ela também atuou como preparadora de elenco.