Com grandes expectativas, a nova adaptação de “Vale Tudo” ainda não conseguiu elevar os índices de audiência do horário nobre além dos 25 pontos, mas a novela já se tornou um tema frequente nas redes sociais. As dúvidas em relação ao remake diminuíram consideravelmente, permitindo destacar os aspectos positivos, como a escolha de Taís Araujo para o papel de Raquel, além de identificar os elementos que ainda não se mostram eficazes na narrativa. A coluna analisa os acertos e falhas de “Vale Tudo”.
Acertos
Alice Wegmann e Alexandre Nero
Alice Wegmann, uma das grandes atrizes de sua geração, trouxe uma interpretação única à Solange, preservando a essência da personagem sem imitar a atuação de Lídia Brondi em 1988. Com seu carisma, Alice brilha nas cenas e tem potencial para ganhar mais destaque na trama. Alexandre Nero, sempre competente, também conquistou seu espaço ao reinterpretar Marco Aurélio, distanciando-se da interpretação de Reginaldo Faria. O ator acrescentou um toque cômico ao personagem, enriquecendo sua complexidade.
Coadjuvantes Notáveis
As atrizes Belize Pombal, Karine Telles e Ingrid Gaigher foram escolhas acertadas para os papéis de Consuelo, Aldeíde e Lucimar, respectivamente. O trio, com seu humor e irreverência, sempre chama a atenção quando aparece em cena. Vale ressaltar também a escolha de Lucas Leto para interpretar Sardinha.
Transformação de Gildo em Gilda
A mudança de gênero do personagem foi uma decisão inteligente, já que Raquel impede Gilda de seguir um caminho criminoso. A presença de Gilda em vez de Gildo facilita uma comparação mais clara entre a relação maternal que Raquel estabelece com a jovem e sua interação com a própria filha, Maria de Fátima. Letícia Vieira é uma atriz promissora e possui uma ótima química em cena com Taís Araujo.
Erros
Maria de Fátima como influenciadora
Embora a aspiração de Maria de Fátima em se tornar influenciadora seja válida, a adaptação dessa ambição não se alinha bem com a trajetória da personagem. A filha de Raquel se envolveu mais em ações para ser modelo, como na versão original de “Vale Tudo”, do que realmente se esforçou para ser uma influenciadora. Isso deixou a situação um tanto estranha.
Odete Roitmann
Ainda é cedo para avaliar o desempenho de Déborah Bloch, mas nas primeiras cenas, a autora Manuela Dias decidiu mudar uma sequência que revelava um lado menos frio e mais interessante da vilã. Na versão original, Odete recebia seu neto Tiago com mais carinho, mostrando um aspecto humano da empresária. No remake, Odete se manteve distante, quase rejeitando o garoto quando ele aparece de surpresa.
Tomorrow Lab
Embora a ideia de ter uma revista como um dos principais cenários da novela possa parecer desatualizada em 2025, a Tomorrow Lab não se assemelha a uma agência de conteúdo real. É pouco crível ver Solange, diretora de criação, atuando como fotógrafa, produtora de locação e editora de vídeo. Faltou uma pesquisa mais aprofundada sobre a dinâmica desse tipo de empresa.
Eugênio
Um dos personagens mais memoráveis da versão original de “Vale Tudo”, o mordomo Eugênio perdeu sua essência. Se antes ele era um cinéfilo que fazia referências a clássicos do cinema, agora não possui características marcantes, o que é lamentável, pois Luís Salém poderia brilhar ainda mais com um personagem mais bem desenvolvido.