A família da jovem atriz Millena Brandão, de apenas 11 anos, que faleceu na última sexta-feira após sofrer 12 paradas cardíacas, está avaliando se houve negligência médica em relação ao atendimento que recebeu durante a semana.
Contexto do caso
De acordo com informações obtidas pela Splash, a família pretende analisar documentos e protocolos antes de se pronunciar oficialmente. Durante o velório de Millena, realizado na tarde de ontem, amigos dos familiares relataram que os pais aguardam a verificação completa dos registros médicos e atendimentos antes de se manifestarem sobre a possível negligência.
Millena foi atendida pela primeira vez em um hospital na segunda-feira, 28 de abril, apresentando dores de cabeça e no corpo. Diante dos sintomas, foi diagnosticada com dengue, uma vez que a cidade enfrenta um surto da doença, e a criança foi liberada para casa. “Como uma criança com esses sintomas poderia ser diagnosticada com dengue? A dor persistia,” comentou Antônio Carlos Neto, advogado e amigo da família.
A família não confirmou o local do primeiro atendimento. Com a continuidade das fortes dores de cabeça, Millena buscou atendimento em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) no Grajaú, zona sul de São Paulo, na terça-feira, 29 de abril. Ela foi encaminhada ao Hospital Geral do Grajaú para exames, onde permaneceu internada até a declaração de morte cerebral, na última sexta-feira.
A Secretaria Municipal de Saúde informou que uma sindicância será aberta para investigar o atendimento na UPA Dona Maria Antonieta. Em comunicado oficial, foi esclarecido que um teste para dengue foi realizado no dia 28 de abril, mas o resultado foi negativo, confirmando que foi o primeiro local onde Millena recebeu atendimento.
Sem apresentar melhora, às 7h59 do dia 29 de abril, foi solicitada a transferência via Sistema Informatizado de Regulação do Estado de São Paulo (Siresp). Após uma avaliação da equipe sobre a gravidade do caso, uma vaga foi disponibilizada pelo Hospital Geral do Grajaú, e a paciente foi transferida. A direção da unidade se colocou à disposição para fornecer quaisquer informações necessárias.
O Hospital Geral do Grajaú informou que está preparado para compartilhar todos os dados sobre o atendimento, caso a família solicite. A Secretaria Estadual de Saúde destacou que a transferência da paciente para o Hospital das Clínicas não ocorreu devido à instabilidade clínica, uma vez que Millena sofreu paradas cardíacas consecutivas.
Na chegada ao hospital no dia 29/04/2025, Millena estava em estado crítico, com sinais de comprometimento neurológico severo. Embora a transferência tenha sido inicialmente autorizada, a equipe médica considerou que o transporte poderia ser extremamente arriscado para a vida da criança naquele momento. A equipe multiprofissional do hospital oferece total apoio à família, com acolhimento e informações necessárias.
Os pais de Millena ainda não têm clareza sobre a causa oficial da morte da jovem atriz. O corpo foi liberado pelo IML na manhã de ontem. A Splash tentou contato com a instituição, que não forneceu informações sobre a realização de autópsia. A reportagem também buscou informações com o Serviço de Verificação de Óbitos (SVO) da USP, mas não obteve retorno.
Durante a internação, médicos levantaram a suspeita de um tumor cerebral após a realização de exames, identificando uma massa de cinco centímetros no cérebro da atriz. No entanto, a equipe médica ainda não confirmou oficialmente se essa massa é um tumor ou um cisto, nem se isso foi a causa da morte de Millena.
Os familiares optaram por não dar entrevistas durante o velório, que ocorreu na capela principal do Cemitério Campo Grande, na Vila São Pedro, zona sul de São Paulo, e atraiu uma grande quantidade de amigos e parentes. A cerimônia foi aberta ao público.