A partir de 12 de maio, os telespectadores poderão novamente ver Felipe Martins, de 64 anos, na TV Globo, interpretando o jovem Tato em “A Viagem”. O ator, que na época tinha 35 anos, teve que adaptar sua performance para criar um personagem que aparentava ter entre 18 e 19 anos. “Foi um desafio. Tive que desenvolver uma nova postura, desde o olhar até a forma de me expressar. Até meu tom de voz foi ajustado para soar mais leve e inocente. Foi como desconstruir minha própria vivência para dar credibilidade àquela juventude”, afirmou em entrevista à coluna Play, do jornal O Globo.
Uma das cenas mais memoráveis envolve uma moto que parece pilotar sozinha. Tato adquire a moto que pertencia a Alexandre, interpretado por Guilherme Fontes. “Tudo era feito manualmente. Era como um trabalho de marionete. Não utilizamos tecnologia moderna, apenas truques clássicos de coxia, jogando com sombras, luzes e efeitos rudimentares. Parecia um ato de mágica, mas muito bem executado para a época. A equipe foi incrivelmente criativa, como verdadeiros ilusionistas”, relembra.
Felipe também recorda como o público reagia a seu personagem, que era guiado pelo espírito de Alexandre. “Certa vez, fui a um supermercado e uma senhora idosa, apoiada em sua bengala, simplesmente tomou um pacote de biscoito da minha mão. Ela me encarou com raiva e disse: ‘Você é muito cruel com seu irmão mais novo’. Fiquei sem saber se ria ou tentava explicar. Então, respondi: ‘Mas senhora, isso é apenas uma novela.’ E ela disse: ‘Ah, mas mesmo assim, não precisava ser tão convincente’.”
Após um hiato de 11 anos longe da televisão, o ator agora ensina interpretação em Teresópolis (RJ), onde reside. Ele planeja retornar à TV e está trabalhando em um novo projeto teatral, previsto para 2026. “Tenho alunos de todas as idades, de 6 a mais de 70 anos. A primeira aula é sempre gratuita, para que a pessoa descubra se realmente deseja seguir por esse caminho. Muitas vezes, especialmente com crianças, o interesse surge por pressão dos pais, e a criança pode não estar confortável. Buscamos entender se há um desejo genuíno. Atuar é uma entrega, uma paixão que deve vir de dentro”, finaliza Felipe Martins.