Desde que ganhou notoriedade em 2017, ao expor a situação dos buracos em seu bairro em Ribeirão Preto (SP), Mirella Archangelo, carinhosamente chamada de “Mini Glória Maria”, transformou seu encontro com a renomada jornalista Glória Maria em um divisor de águas em sua vida. Agora, aos 18 anos, ela estuda jornalismo com uma bolsa de estudos e se tornou uma inspiração para jovens negros, sendo reconhecida como um dos legados de Glória na série documental da Globo.
“Antes de conhecer Glória Maria, meu sonho era ser professora. Porém, após o vídeo viral e nosso encontro, passei a querer seguir a carreira de jornalista. Essa experiência mudou completamente minha perspectiva e abriu inúmeras portas para mim”, revelou Mirella em uma entrevista exclusiva para o Splash.
A estudante participou da série “Gloria”, que estreou no último domingo (27) na Globo. Sua trajetória será destacada no episódio final, onde é mencionada como uma das “heranças” deixadas por Glória Maria. “Sinto-me extremamente honrada e grata por ter feito parte tanto das gravações quanto dos bastidores. Foi incrível testemunhar outras pessoas sendo filmadas e conhecer tantas personalidades inspiradoras.”
Após seu encontro com a jornalista em 2017, Mirella conquistou bolsas de estudo e completou o ensino médio em uma instituição particular. “Às vezes, brinco que não sei quem eu seria sem ter conhecido Glória Maria. Não consigo imaginar como seria minha trajetória. Ela me mostrou que era possível entrar na faculdade e me incentivou a seguir essa carreira, além de destacar a importância da profissão em dar voz aos que normalmente não são ouvidos.”
Neste início de ano, a estudante chamou atenção ao alcançar 960 pontos na redação do Enem, cujo tema abordou “Desafios para a valorização da herança africana no Brasil”. Com 104 mil seguidores no Instagram, Mirella também se destaca como ativista e elogiou a relevância do tema. “Muitas pessoas estão comprometidas com a luta antirracista, mas isso ainda não se reflete em uma discussão nacional.”
“A luta antirracista é uma responsabilidade coletiva. Acredito que o tema ser abordado em uma prova de vestibular é extremamente pertinente, pois a maioria dos jovens que fazem o Enem vem de escolas públicas, onde a população predominante é negra.”
Mirella conquistou uma bolsa para estudar jornalismo na Unaerp, uma faculdade particular em Ribeirão Preto, e a instituição lhe ofereceu uma oportunidade de trabalho que a ajudou a obter a bolsa.
Realizar o sonho de estudar jornalismo é uma conquista significativa para Mirella. “Às vezes, preciso parar e refletir para entender que já estou na faculdade e cursando jornalismo. A ficha ainda não caiu.”
Embora reconheça que seus interesses possam mudar, por enquanto, seu objetivo é trabalhar na televisão. “Muitos jornalistas que conheci mencionam que, antes da faculdade, tinham uma área específica em mente, mas mudaram completamente suas perspectivas. No meu caso, quero trabalhar na televisão. Sinto uma grande afinidade com a gravação, a câmera e o estúdio, mas também sou apaixonada pela escrita, como pode ser visto na minha nota da redação.”
“Sou muito apaixonada pela escrita, pela leitura e por escrever diariamente. Fico em dúvida entre essas duas áreas, mas também não descarto a possibilidade de mudar de ideia durante a faculdade”, afirma Mirella Archangelo.
Ela expressa sua gratidão por Glória em uma palavra: “gratidão”. “Sei que muitas oportunidades que surgiram em minha vida são em razão dela. Tenho meu mérito, fruto de esforço e dedicação, mas muitas portas se abriram após as pessoas me reconhecerem e dizerem: ‘Ah, você é a mini Glória Maria?’ Isso muda a atmosfera e facilita o acesso a novas oportunidades. Não poderia deixar de mencionar a importância dela em minha vida.”
“É uma honra ter tido a chance de me conectar com ela. Muitas jornalistas negras que conheço me dizem que gostariam de ter tido essa oportunidade, e eu reconheço que isso é raro. Sou imensamente grata por tudo que ela fez e pelo legado que deixou, não apenas para mim, mas para o jornalismo brasileiro como um todo”, conclui Mirella Archangelo.