O artista Edy Star, que faleceu ontem em São Paulo, será homenageado em seu velório hoje, a partir das 10h, no Cemitério do Araçá. Com 87 anos, Edy estava internado na UTI do Complexo Hospitalar Heliópolis devido a complicações após um acidente doméstico ocorrido na semana passada. Segundo Ricardo Santhiago, seu biógrafo, atrasos em seu tratamento intensificaram o agravamento de sua saúde.
Trajetória Artística
Nascido em Juazeiro, na Bahia, Edivaldo Souza — nome de nascimento — lançou seu álbum de estreia, “Sweet Edy”, em 1974, que se tornou um marco no rock alternativo brasileiro, mas, após esse sucesso, ficou afastado por 40 anos. Edy foi um colaborador importante de Raul Seixas, participando do álbum “Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das 10”, de 1971, ao lado de Seixas, Sérgio Sampaio e Miriam Batucada. Ele era o último integrante do grupo kavernista ainda vivo.
Após duas décadas em Madri, retornou ao Brasil em 2009 para uma apresentação na Virada Cultural de São Paulo, onde se apresentou no palco em homenagem a Raul Seixas, um show que foi muito bem recebido. Nos anos seguintes, Edy relançou seu álbum de estreia e quebrou seu longo hiato, lançando seu segundo álbum de estúdio, “Cabaré Star”.
Nos últimos tempos, ele enfrentou uma diminuição nas propostas de shows e lidou com um câncer de forma solitária. Em uma entrevista ao Estadão em 2024, Edy expressou suas dificuldades: “Está muito complicado encontrar espaço para artistas como eu. Hoje em dia, existem ‘caixinhas’, certas categorias têm prioridade, e eu entendo isso, mas para artistas como eu, tudo se torna mais desafiador. Lugares como o Sesc têm oferecido menos oportunidades para meu estilo de trabalho. Porém, continuo aqui, firme e mostrando minha presença. É complicado, mas é assim que é.”
No ano passado, foi lançado o documentário “Antes Que me Esqueçam, Meu Nome é Edy Star”. Ele refletiu sobre a morte, afirmando: “Ela é inevitável, parte do ciclo da vida. Apenas desejo que venha tranquila, no momento certo.” Sobre seu legado, Edy declarou: “Enquanto eu estiver aqui, quero respeito e reconhecimento. Mas depois que eu partir, não me importa o que farão. Podem descartar meu trabalho, jogar no mar. Não estarei mais aqui mesmo.”