O racismo voltou a ser tema central na concentração da seleção francesa às vésperas das quartas de final da Copa do Mundo de 2026. Em entrevista coletiva realizada na terça-feira, 7 de julho, o zagueiro Dayot Upamecano manifestou seu apoio ao atacante Kylian Mbappé e exigiu punições para a senadora paraguaia Celeste Amarilla, que fez comentários racistas após a partida entre França e Paraguai.
“Mbappé continua totalmente concentrado no jogo, embora esse tipo de comentário seja inadmissível. Estamos todos com ele. Precisamos continuar lutando contra o racismo. Espero que essa pessoa enfrente as consequências”, declarou Upamecano. As palavras do defensor ocorreram dois dias antes do confronto entre França e Marrocos, e ele enfatizou que o episódio de hostilidade racial fortaleceu a união do grupo, garantindo que Mbappé permanece focado na competição.
O atacante Jean-Philippe Mateta também se pronunciou sobre o caso. Após a vitória sobre o Paraguai nas oitavas de final, ele afirmou que os jogadores se mobilizaram para proteger Mbappé diante da repercussão negativa das ofensas. Kylian Mbappé, que se destacou na Copa do Mundo ao marcar sete gols, foi alvo de ataques racistas nas redes sociais da senadora após a eliminação do Paraguai, que ocorreu em uma partida em que ele marcou o gol da vitória.
As declarações de Celeste Amarilla surgiram após a derrota do Paraguai por 1 a 0 para a França, e suas mensagens incluíram insultos racistas e comentários depreciativos sobre Mbappé. Em uma das publicações, a senadora afirmou: “Burro, não aprendeu nem a escrever. Em vez de leite materno, mamava cocos, e o mais instruído que ouviu eram chimpanzés.” Em outra mensagem, ela continuou a atacar o jogador, fazendo comentários sobre sua origem, nacionalidade e desempenho na partida.
Essas postagens geraram uma reação imediata. A Federação Francesa de Futebol (FFF) apresentou uma denúncia às autoridades competentes, levando o Ministério Público de Paris a abrir uma investigação por injúria racista contra a senadora. O caso também recebeu condenação de diversas autoridades e entidades, incluindo a comissão técnica da seleção francesa, o governo francês, o governo paraguaio, o presidente da FIFA, Gianni Infantino, e a Organização das Nações Unidas (ONU), todos manifestando apoio a Mbappé.
A situação destaca a necessidade urgente de combater o racismo no esporte e a responsabilidade de figuras públicas em suas declarações. O episódio reforça a importância da solidariedade entre os atletas e a necessidade de ações concretas contra a discriminação racial, especialmente em eventos de grande visibilidade como a Copa do Mundo. A seleção francesa, que se prepara para enfrentar o Marrocos, busca não apenas avançar na competição, mas também ser um exemplo na luta contra o racismo.