O Cruzeiro está prestes a concretizar a transferência do lateral-esquerdo Kaiki Bruno para o Como 1907, clube da segunda divisão italiana. A negociação envolve um valor estimado em 14 milhões de euros, cerca de 82 milhões de reais, mas, em um primeiro momento, o jogador será emprestado ao clube italiano antes da venda definitiva.
Kaiki, natural de Betim, Minas Gerais, já se encontra na Europa há alguns dias, onde realizou exames médicos e físicos. Ele aguarda a finalização de trâmites burocráticos para ser oficialmente anunciado pelo Como. A estrutura do negócio, que inicialmente apresenta o jogador como um empréstimo, tem como objetivo facilitar a transação, garantindo que o clube italiano compre o atleta ao final do período de empréstimo, que deve durar um ano.
O contrato inclui uma cláusula que obriga o Como a efetivar a compra ao término do empréstimo, desde que determinadas condições sejam atendidas. Essa obrigatoriedade de compra transforma o que seria um empréstimo convencional em uma venda garantida, mitigando os riscos para o Cruzeiro de ter que reintegrar o jogador ao seu elenco após o término do vínculo.
Para se adequar às normas de Fair Play Financeiro (FPF) estabelecidas pela UEFA e pela Federação Italiana de Futebol (FIGC), o Como optou por esse modelo de negócio. Ao registrar o jogador como emprestado, o clube pode diluir os custos da transação, contabilizando apenas a taxa de empréstimo e o salário do atleta em seu orçamento, ao invés de registrar o custo total da compra de uma só vez.
O regulamento de FPF limita os gastos dos clubes a 70% de suas receitas totais, visando garantir a sustentabilidade financeira e evitar que as equipes gastem mais do que arrecadam. Nesse contexto, a operação facilita o planejamento financeiro do Como, que deverá adquirir 80% dos direitos econômicos de Kaiki, com o restante pertencendo ao próprio jogador, que também será comercializado.
Esse tipo de operação, que combina empréstimo com obrigação de compra, é comum entre clubes europeus, especialmente em ligas que impõem rigorosos controles financeiros. Além de facilitar a gestão do fluxo de caixa, essa estratégia permite que os clubes distribuam os impactos contábeis de grandes investimentos ao longo de diferentes exercícios financeiros, ajudando a cumprir as regras de sustentabilidade financeira.
Embora a negociação tenha sido estruturada como um empréstimo, o Cruzeiro não fica desprotegido. O contrato, elaborado para garantir a compra obrigatória, assegura que, uma vez cumpridas as condições acordadas, o Como terá que adquirir os direitos econômicos de Kaiki Bruno pelo valor previamente estabelecido.
Como em qualquer transação internacional que envolve pagamento parcelado, existem riscos jurídicos ou financeiros, mas esses são considerados reduzidos quando a operação é registrada pela FIFA e realizada entre clubes profissionais. Caso o Como não cumpra com o contrato, o Cruzeiro poderá recorrer aos mecanismos da FIFA, que conta com uma Câmara de Resolução de Disputas para lidar com questões de inadimplência entre clubes. A falta de cumprimento pode resultar em sanções, como proibição de registrar novos jogadores, multas ou até perda de pontos.
Outro aspecto que diminui a preocupação em relação à transação é a situação financeira do Como, que pertence ao conglomerado Djarum, controlado pelos irmãos Hartono, um dos grupos empresariais mais ricos da Ásia. Desde a sua aquisição, o Como tem investido significativamente em infraestrutura e contratações, o que reforça sua capacidade financeira para cumprir com as obrigações assumidas na negociação com o Cruzeiro.