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Super Bowl: Conflitos sociais e a tensão em torno do ICE marcam a final da NFL

Por Isabella Menon/Folhapress
Neste domingo (8), o Super Bowl celebra sua 60ª edição, trazendo à tona disputas que vão além do simples resultado do jogo. Enquanto New England Patriots e Seattle Seahawks duelam no campo, a NFL (National Football League) enfrenta um momento de expansão internacional, ajustes em seu calendário e um contexto político que transforma este evento esportivo em um verdadeiro palco cultural e social nos Estados Unidos.

Em campo, a partida marca o retorno dos Patriots ao Super Bowl, após um extenso período desde a era de Tom Brady. No ano passado, a equipe teve um desempenho abaixo das expectativas, conquistando apenas quatro vitórias e passando por uma rápida reestruturação. O jovem quarterback Drake Maye, com apenas 23 anos, representa essa nova fase e pode se tornar o mais jovem a conquistar o título. Rodrigo Lazarini, narrador e comentarista de futebol americano, observa que essa conquista significaria a reinvenção de um dos times com mais participações em finais.

Por outro lado, o Seattle Seahawks chega forte, respaldado pela defesa mais eficaz da temporada, segundo Lazarini. Com o quarterback Sam Darnold, que se juntou recentemente à equipe, os Seahawks apresentaram uma performance impressionante, dominando os playoffs. “Eles atropelaram os adversários para chegar ao Super Bowl, muito em função de sua defesa sólida”, afirma o comentarista. O equilíbrio entre o ataque promissor dos Patriots e a defesa robusta dos Seahawks promete uma final acirrada.

A decisão deste ano também evoca lembranças de um Super Bowl histórico, disputado há 11 anos, quando Patriots e Seahawks se enfrentaram em um jogo decidido no último instante. De acordo com Lazarini, tanto a história quanto o desempenho recente colocam os Seahawks como favoritos.

Fora do campo, a NFL passa por um processo de expansão intensa. A liga está considerando aumentar a temporada regular de 17 para 18 jogos, uma proposta apoiada pelos proprietários das equipes, mas criticada pela associação de jogadores, que se preocupa com as implicações físicas de um esporte de alto impacto. O comissário Roger Goodell enfatiza que a discussão é impulsionada por interesses financeiros, já que mais jogos significam maiores receitas em ingressos, direitos de transmissão e publicidade.

Esse movimento está diretamente ligado à internacionalização da liga. A NFL anunciou a adição de mais jogos fora dos Estados Unidos, aumentando de sete para nove partidas internacionais. Além de países europeus, como a França, a liga planeja realizar jogos na Austrália, com o Brasil se destacando como um mercado estratégico. As partidas realizadas em São Paulo nos últimos dois anos esgotaram os ingressos, levando a NFL a considerar a transferência dos jogos para o Rio de Janeiro, devido à maior capacidade do Maracanã.

A estratégia da liga vai além dos jogos. Ela mantém agências locais para gerenciar redes sociais, produção de conteúdo e marketing em países como Brasil, México, França e Espanha. A NFL também investe no crescimento do flag football, uma modalidade menos impactante que será incluída nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 2028, e já recebe apoio em campeonatos regionais fora dos Estados Unidos.

O Super Bowl deste ano também será um espaço para manifestações políticas. O show do intervalo será apresentado por Bad Bunny, que recentemente se manifestou contra o ICE durante a cerimônia do Grammy. O New York Times reporta que não há planos para aumentar a segurança policial ao redor do estádio, apesar de um histórico de protestos relacionados a temas migratórios e de segurança.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que costumava comparecer a eventos como este, não estará presente este ano. Sua ausência se deve à distância da Califórnia, onde o evento acontecerá, já que ele prefere passar os finais de semana em Mar-a-Lago, na Flórida. Trump já expressou desapreço pelo artista que fará a performance mais aguardada do evento, considerando sua escolha “terrível” e afirmando que isso apenas gera discórdia.

Embora a preferência do presidente por um dos times permaneça um mistério, sua aversão ao show de Bad Bunny é clara. A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, revelou que “o presidente certamente prefere assistir à apresentação de Kid Rock”. Com isso, o evento se torna um reflexo da América dividida, com um show paralelo que contará com Rock e outros artistas alinhados a Trump.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade