Na Sacadura Cabral 345, no Centro do Rio de Janeiro, torcedores do Vasco se reuniram para acompanhar a final da Copa do Brasil contra o Corinthians. Aquele local é o berço do clube, e quase todos os presentes ostentavam o escudo em seus peitos. O desfecho do domingo (21) não trouxe o título tão sonhado, mas deixou uma nova marca nas almas dos torcedores.
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O Maracanã estava cheio, o resultado do jogo de ida era favorável e havia um clima de otimismo que fugia da realidade dos últimos anos do Vasco. Três horas antes da partida, um torcedor, que preferiu permanecer anônimo, compartilhou sua expectativa: “Pela primeira vez em muito tempo, vi todos os vascaínos confiantes. Parece que o time encontrou uma nova energia na Copa do Brasil.”
Contrariando a tradição, à medida que o horário do jogo se aproximava, a animação foi dando lugar ao nervosismo, e o ambiente festivo se transformou em uma atmosfera de ansiedade e apoio. Todos estavam ali com um único propósito, e cantar tornou-se um ato secundário.
Afonso, de 52 anos, que chegou sozinho e se misturou a estranhos, expressou seu amor pelo Vasco: “O Vasco é a minha vida. Não consegui ir ao Maracanã, não entendo muito de internet, então vim à primeira casa do Vascão. Estamos há muito tempo buscando isso. Gosto do presidente Pedrinho, que está fazendo um ótimo trabalho. Agora, até a Nike está com o Vasco.”
Conectado aos novos amigos pelo amor ao clube, Afonso reagia intensamente a cada lance da partida, com as mãos no rosto e gestos que simulavam passes e finalizações, como se estivesse orientando os jogadores. Ele era apenas mais um entre milhares de vascaínos que mantiveram a fé até o apito final, mesmo com o Corinthians dominando a partida em boa parte do tempo.
A presença não se limitou aos torcedores do Vasco. Muitas pessoas, mesmo sem a camisa do time, acompanhavam a final como se assistissem a um show de um artista que apreciam, mas que não é seu favorito. A final da Copa do Brasil, um confronto entre dois gigantes do futebol nacional, atraía a atenção de qualquer amante do esporte.
Para os vascaínos, a confiança na conquista não se concretizou, mas a esperança de um futuro melhor surgiu. Apesar da derrota, o clima não foi de revolta; ao contrário, havia um reconhecimento palpável. Embora o cântico de “Vasco, Vasco” não tenha ecoado ao final, muitos saíram emocionados, percebendo que o clube estava vivendo um momento diferente e promissor.