O julgamento do ex-vice-presidente do Cruzeiro, Itair Machado, foi interrompido. Acusado pelo Ministério Público de Minas Gerais de desviar recursos do clube para seu benefício pessoal, a suspensão do processo foi determinada pelo desembargador Bruno Terra Dias, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG).
Audiências de instrução e julgamento estavam programadas entre 10 e 19 de dezembro, mas a defesa de Itair solicitou a pausa do procedimento, alegando a falta de acesso às provas de acusação. Segundo os advogados, as alegações contra o ex-dirigente se baseiam em dados contidos em discos rígidos que, conforme informações da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), não estariam mais na delegacia, mas sim no Instituto de Criminalística. O TJMG considerou o pedido da defesa válido.
O magistrado argumentou que, sem uma manifestação do juízo sobre a questão, havia o risco de cerceamento do direito de defesa devido à ausência de acesso total às provas antes da audiência de instrução, como já reconhecido em uma decisão anterior. Assim, foi considerada necessária a suspensão da audiência para que a defesa pudesse ter acesso ao material.
De acordo com informações publicadas pelo O TEMPO Sports, em 2020, um ano após as denúncias, Wagner Pires de Sá, ex-presidente do Cruzeiro, Itair Machado, e Sérgio Nonato, ex-diretor-geral, foram denunciados pelo MPMG por crimes como lavagem de dinheiro, apropriação indébita, falsidade ideológica e formação de organização criminosa. O Ministério Público aponta que o prejuízo causado ao Cruzeiro, em decorrência dos crimes de apropriação indébita e lavagem de dinheiro, alcançou cerca de R$ 6,5 milhões.
Na denúncia, o órgão pede a condenação dos envolvidos e a fixação de uma indenização ao Cruzeiro no valor de 100% do montante perdido, ou seja, aproximadamente R$ 6,5 milhões. O MPMG argumenta que as ações dos indiciados resultaram em dano moral coletivo e prejudicaram a imagem do clube.
– Wagner Pires de Sá, ex-presidente do Cruzeiro: denunciado por falsidade ideológica, apropriação indébita e formação de organização criminosa.
– Itair Machado, ex-vice-presidente-executivo de futebol do Cruzeiro: denunciado por lavagem de dinheiro, apropriação indébita, falsidade ideológica e formação de organização criminosa.
– Sérgio Nonato, ex-diretor-geral: responderá por integrar organização criminosa e apropriação indébita.