Rafael Menin, um dos principais sócios da SAF do Atlético, comentou nesta quarta-feira (10) sobre a possibilidade de o clube receber novos investimentos no início de 2026, um passo crucial para ajudar a instituição a enfrentar sua dívida bilionária e melhorar sua saúde financeira. Durante a apresentação de Pedro Daniel, o novo CEO do Atlético, Menin expressou sua esperança de que esses aportes possam ocorrer nos primeiros meses do ano.
“Esperamos que no primeiro trimestre ou logo depois possamos dar um novo passo para deixar as contas do Atlético em uma situação um pouco mais saudável. Isso não significa que todos os problemas serão resolvidos de imediato, mas acreditamos que, em breve, poderemos avançar e tornar nossa situação mais estável”, afirmou.
Ele destacou que, apesar de o Brasil ainda ser um mercado pouco atrativo para investidores, o clube vem progredindo em algumas áreas, embora ainda não tenha finalizado algumas negociações. Menin elogiou o trabalho realizado pelos executivos que lideram o Atlético desde 2020, reconhecendo que, apesar de várias conquistas, alguns erros foram cometidos e serviram como aprendizado. A transformação do clube em SAF trouxe um alívio financeiro, mas não foi suficiente para eliminar a dívida.
“A criação da SAF deu um respiro ao clube, mas não é uma solução definitiva. Todos estão cientes de que a situação financeira é delicada, embora tenha melhorado desde a implementação da SAF. Estamos trabalhando neste ano para dar um novo passo, e já avançamos com a cláusula de diluição da associação, que era um obstáculo”, explicou.
Atualmente, a dívida do Atlético passou de R$ 2 bilhões para cerca de R$ 1 bilhão após a constituição da SAF, mas, no último ano, voltou a aumentar, ultrapassando R$ 1,4 bilhão. O novo CEO, Pedro Daniel, deixou claro que os futuros investimentos no clube serão exclusivamente direcionados para a quitação de dívidas, sem especificar um valor exato necessário para a estabilização financeira.
“Quando falamos em aportes, estamos focados em quais dívidas atacaremos primeiro. O investimento será unicamente destinado a pagar dívidas, o que tornaria incoerente usar um aporte para isso e, ao mesmo tempo, contratar novos jogadores. Temos um entendimento interno de que as próximas movimentações financeiras serão voltadas para essa finalidade. Assim que ajustarmos essa questão, teremos mais recursos disponíveis para investir no futebol a médio prazo”, destacou.
Pedro Daniel é graduado em administração de empresas pela PUC-SP e possui um mestrado em Governança Global do Esporte pela UEFA. Com mais de 20 anos de experiência, ele era o diretor-executivo da área de esportes da Ernst & Young (EY) na América do Sul. O novo CEO também desempenhou um papel importante como consultor técnico da CBF na implementação do Sistema Fair Play Financeiro no Brasil e contribuiu para o projeto de Licenciamento de Clubes. Ademais, liderou um grupo de trabalho em Brasília que resultou no PROFUT e participou ativamente das discussões que levaram à criação da Lei das SAFs, atuando ainda como consultor do Ministério do Esporte.
Pedro já prestou consultoria a diversas entidades e grandes clubes, incluindo FIFA, Conmebol, CBF, Federação Paulista de Futebol, Flamengo, Palmeiras, Corinthians, Grêmio, São Paulo, Athletico-PR e Real Valladolid (ESP).