O treinador da seleção brasileira, Carlo Ancelotti, compartilhou suas impressões sobre os primeiros seis meses à frente da equipe e a experiência de dirigir o time neste ano de 2025. O italiano se pronunciou durante a abertura da segunda edição do Summit Academy, um evento promovido pela CBF que ocorreu na última quarta-feira (26), no hotel Renaissance, em São Paulo.
“A rotina de um treinador no Brasil apresenta muitos desafios. É uma tarefa difícil, com altas exigências, mas acredito que essa pressão é necessária. O estresse, em certos aspectos, pode ser benéfico. Estou ciente de que enfrentarei uma intensa cobrança para conquistar a Copa do Mundo”, afirmou Ancelotti, demonstrando cada vez mais fluência na língua portuguesa.
Em seu discurso, Ancelotti enfatizou a importância de um jogo coletivo de qualidade para alcançar o título, fazendo analogias com equipes icônicas do passado. “O talento individual, por si só, não é suficiente. O futebol atual é diferente do que era nos anos 2000 ou 1980. Pelé, por exemplo, podia vencer o Mundial ao lado de Tostão e Rivelino. Maradona conquistou o Mundial sozinho, mas Romário e Bebeto o fizeram com uma defesa sólida por trás. Nosso desafio é apoiar o talento através do nosso trabalho, garantindo seriedade e competência em todas as áreas, além de aprimorar a preparação física e o aspecto mental”, comentou.
“Não se vence sem talento, mas também busco convocar jogadores que estejam dispostos a lutar pela seleção brasileira”, acrescentou o treinador.
Antes de Ancelotti, Samir Xaud, presidente da CBF, elogiou o trabalho do técnico na seleção e ressaltou a importância de sua gestão. “Carlo criou um novo ambiente na seleção, preparando o terreno para a busca pelo hexacampeonato. Nossa administração também estabeleceu um novo clima e abordou questões que estavam profundamente enraizadas no futebol brasileiro”, disse.
Xaud, que é ex-aluno da CBF Academy, confirmou uma informação previamente discutida: a introdução do impedimento semiautomático no futebol brasileiro no próximo ano. “Essas mudanças refletem o novo cenário do futebol mundial e buscaremos profissionalizar a arbitragem, com um olhar cada vez mais voltado para a tecnologia. Em 2026, o impedimento semiautomático será implementado no futebol nacional”, revelou o dirigente.
“Recentemente, também lançamos um novo calendário para o futebol feminino, com novas cotas e assegurando que jogadoras lactantes possam viajar com seus filhos. Era fundamental organizar a casa para a Copa de 2027, pois estou convencido de que lutaremos pelo título”, completou Xaud.
O evento teve um início atrasado de cerca de 40 minutos devido à chegada do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, que foi o primeiro a discursar e expressou apoio à realização do evento da CBF na capital. Nunes desejou “sorte” a Carlo Ancelotti. “Na Europa, eles não possuem a mesma qualidade de jogadores que temos, mas também enfrentam dificuldades financeiras que aqui não existem. Temos um imenso potencial de produção, e a CBF Academy nos permitirá gerar uma riqueza significativa. Temos tudo para sermos melhores, mas a gestão é fundamental, e a Prefeitura oferecerá todo o suporte necessário”, concluiu o prefeito.