A torcida organizada do Palmeiras, conhecida como Mancha Alvi Verde, através de seu presidente André Guerra Ribeiro, formalizou no início deste mês um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) junto ao Ministério Público de São Paulo (MPSP), no qual admite responsabilidade pelo ataque a torcedores do Cruzeiro ocorrido em 2024. O incidente resultou na morte de um torcedor e deixou outros 20 feridos.
A emboscada, que contou com a participação de aproximadamente 120 indivíduos, aconteceu no dia 27 de outubro, na rodovia Fernão Dias, nas proximidades de Mairiporã. Naquele dia, integrantes da Máfia Azul, torcida organizada do Cruzeiro e rival histórica da Mancha, estavam em dois ônibus retornando de um jogo contra o Athletico Paranaense em Curitiba, enquanto o Palmeiras havia enfrentado o Fortaleza em São Paulo.
De acordo com o TAC, a Mancha Alvi Verde reconheceu que os “acontecimentos foram planejados, organizados e executados por membros da torcida”. Além disso, a organizada se comprometeu a indenizar as vítimas do ataque, totalizando R$ 2 milhões referentes a danos materiais e morais.
Deste montante, metade será destinada à família do torcedor cruzeirense falecido, José Victor Miranda dos Santos, de 30 anos, residente em Sete Lagoas, Minas Gerais. A empresa que operava os ônibus atacados receberá R$ 200 mil para cobrir os danos, enquanto R$ 250 mil serão direcionados ao Fundo Municipal de Segurança Pública de Mairiporã. O restante do fundo será distribuído entre as vítimas que sofreram lesões.
A Mancha Alvi Verde também se comprometeu a não mais se envolver em “episódios violentos de natureza semelhante, especialmente aqueles que sejam planejados, organizados ou que tenham a participação de seus membros ou dirigentes.” O TAC estabelece que a torcida deve coibir e punir severamente qualquer associado que se envolva em atividades ilícitas relacionadas a torcidas de futebol, prevendo a suspensão imediata de qualquer membro que seja indiciado pela Polícia Civil ou denunciado pelo Ministério Público por práticas como emboscadas ou tumultos.
Como parte do acordo, o Ministério Público também concordou em permitir o retorno da torcida aos estádios, uma vez que a Mancha havia sido proibida de comparecer a jogos pela Federação Paulista de Futebol (FPF) logo após o ataque aos torcedores do Cruzeiro, em conformidade com uma recomendação do próprio MP.