Reconhecido como um dos principais técnicos de categorias de base no Brasil e com um histórico de títulos pelo Atlético, Henrique Teixeira ressaltou a relevância do trabalho psicológico na construção de um time que conquistou os campeonatos Brasileiro e Mineiro sub-17 em 2025. Ele enfatizou que essa faixa etária é a mais desafiadora entre todas, e detalhou as estratégias utilizadas primeiro para alcançar o título nacional e, em seguida, o estadual.
Em uma entrevista exclusiva ao programa Mesa 13, do O TEMPO Sports, Henrique falou sobre o processo realizado com a equipe sub-17, que buscou reverter a desvantagem após uma derrota por 4 a 1 para o Grêmio na partida de ida da final da Copa do Brasil. Para ele, o essencial foi que todos os jogadores compreendessem a essência e a história do clube.
“O aspecto mental é um dos nossos pontos mais fortes. O Pinel, nosso assessor, desempenhou um papel fundamental ao nos contar a história do Galo e ajudar a entender essa trajetória. Ele nos apresentou o documentário ‘Lutar, lutar, lutar’, que esclareceu ainda mais o legado do clube. Quando assisti, pensei: ‘não é possível que enfrentaremos esse sofrimento’, mas, após perder o primeiro jogo, sabíamos que era necessário lutar”, comentou Henrique.
Segundo o treinador, dois fatores foram determinantes para que o Atlético conseguisse a virada na Arena MRV, onde venceu por 3 a 0 no tempo normal e triunfou na disputa de pênaltis. Ambos os fatores envolvem a crença, que é uma marca registrada da história do Galo.
“O trabalho mental teve dois pilares principais: primeiro, entender que essa é a verdadeira história do Galo e que precisamos acreditar. Em segundo lugar, ter uma abordagem de jogo que possibilitasse essa crença. Precisávamos criar muitas oportunidades e adotar um estilo mais agressivo, não apenas por fé, mas porque era viável reverter a situação. Foi o jogo em que fizemos mais alterações e, felizmente, tudo deu certo”, explicou.
No último fim de semana, o Atlético conquistou o título Mineiro ao empatar com o Cruzeiro na rodada decisiva do octogonal. Henrique falou sobre a dificuldade de mudar o foco do título nacional para o estadual, ressaltando que, embora o empate fosse vantajoso, isso poderia ser uma armadilha. Para ele, a mentalidade dos jovens atletas fez toda a diferença.
“O empate era nosso e, embora tenha sido positivo para conquistarmos o título, eu o vejo como uma armadilha do ponto de vista mental. Quem entra com a obrigação de vencer geralmente tem mais foco e clareza. Por outro lado, quem joga pelo empate pode ter uma abordagem mais lenta, especialmente após um título importante como o Brasileiro. Esse grupo possui uma mentalidade muito forte”, afirmou.
Henrique se juntou ao Atlético em 2023 e já acumulou diversos títulos na categoria sub-15. O clube decidiu promovê-lo para treinar o elenco sub-17, uma escolha que, segundo ele, foi crucial para a colheita de bons resultados. Agora, o treinador considera que está lidando com a categoria mais desafiadora de todas.
“Acredito que o sub-17 é a etapa mais complicada da formação. É a fase da rebeldia, na qual eles desejam experimentar tudo e começam a vivenciar aspectos da vida adulta sem realmente serem adultos, o que torna difícil para eles discernirem o que é importante”, disse.
Henrique também enfatizou a relevância do suporte familiar na vida dos jogadores para auxiliar na gestão dessas situações, mas reconheceu que é “normal” que eles cometam erros, dado o contexto. Seu trabalho, nesse sentido, começa com conversas individuais: “Início com uma conversa pessoal com cada um, onde pergunto sobre suas origens e suas vidas, permitindo que se expressem, e então busco manter um diálogo contínuo”, concluiu.