Em 1997, o Cruzeiro alcançou o bicampeonato da Libertadores e garantiu sua participação no Mundial Interclubes do ano, enfrentando o Borussia Dortmund, campeão da Liga dos Campeões daquela temporada. Para reforçar a equipe, o presidente Zezé Perrella buscou atletas renomados como Bebeto, Gonçalves e Donizete Pantera, além de um jovem jogador que hoje é treinador em Minas Gerais. Alberto Valentim, atual técnico do América, também foi convocado para essa missão de almejar o título mundial. Naquele período, Valentim defendia o Athletico-PR e recebeu a notícia de sua transferência para o Cruzeiro através do seu treinador, Abel Braga.
“Um dia, ao chegar no CT, ele me chamou para conversar e me disse: ‘Há uma grande possibilidade de você ir para o Cruzeiro disputar o Mundial. Quero que você saiba disso em primeira mão. Prepare-se’. O Athletico-PR estava em um campeonato tranquilo, sem riscos de rebaixamento, e fiquei muito contente, pois era uma chance de lutar por um título mundial com uma grande equipe. Sou mineiro e passei dois anos na base do América, depois fui para fora do estado e agora tinha a oportunidade de voltar”, recordou em uma entrevista exclusiva ao O TEMPO Sports.
Valentim compartilhou que, após cerca de três dias de treino, o time se dirigiu a Atibaia (SP) e, em seguida, para Nagoya, no Japão, onde ocorreria o Mundial. Apesar de ser bem acolhido pelo elenco, ele reconhece que o clima na véspera da viagem não era dos melhores. Os jogadores que haviam conquistado a Libertadores sentiram-se desvalorizados com as novas contratações.
“É natural que tenha ficado um clima tenso para aqueles que não viajaram, especialmente para aqueles que ganharam a Libertadores, mas todos os convocados foram bem recebidos, mesmo com a ausência de alguns integrantes do time campeão. Eu era jovem, tinha apenas 22 anos, mas lembro que todos nos abraçaram, já que todos ali queriam conquistar o título”, afirmou.
Valentim também refletem sobre a decisão da diretoria do Cruzeiro em buscar reforços de peso, lamentando a perda do título para o Borussia Dortmund. “Infelizmente, não conseguimos a vitória. Começamos bem, mas não conseguimos reagir após os primeiros gols do Borussia. Contudo, foi uma experiência enriquecedora para mim. O Cruzeiro não estava tendo um bom desempenho no Campeonato Brasileiro, lutando contra o rebaixamento nas últimas rodadas, o que levou o presidente Perrella a decidir por novas contratações”, concluiu Valentim.