Na coletiva de imprensa realizada após o empate sem gols entre Palmeiras e Cruzeiro, na noite deste domingo (26/10), o técnico Leonardo Jardim surpreendeu a todos ao deixar de lado o esperado debate sobre a arbitragem e optar por discutir sua frustração com o cenário do futebol brasileiro. O treinador português expressou sua insatisfação e a possibilidade de reconsiderar sua permanência no país, afirmando: “Como treinador, minha influência é limitada. Estou frustrado e me pergunto se vale a pena seguir aqui, quando não temos controle sobre os jogos. A balança entre frustração e satisfação está quase equilibrada.”
Durante a partida, que terminou em empate, o Cruzeiro teve dois momentos de reclamação relacionados à arbitragem. No primeiro tempo, o zagueiro do Palmeiras, Gustavo Gómez, atingiu o atacante Wanderson, que saiu machucado. O árbitro Rafael Rodrigo Klein revisou a jogada no VAR, mas apenas aplicou um cartão amarelo ao jogador paraguaio. Já na segunda etapa, Fabrício Bruno, defensor do Cruzeiro, foi expulso em um lance que Jardim contestou, alegando que a falta não havia sido cometida por seu jogador.
“Nos lances do primeiro tempo, o árbitro sempre parava para analisar quando algum jogador adversário caía. No caso da expulsão do Fabrício, creio que ele nem cometeu falta; o atacante foi quem fez a infração. Não quero isso para mim, pois prefiro que o controle do jogo esteja nas mãos dos jogadores”, declarou Jardim.
Ele também apontou diversos problemas que afetam a qualidade da arbitragem no Brasil, afirmando: “Enquanto um grupo de profissionais for dirigido e julgado por amadores, sem uma padronização adequada dos campos e um sindicato forte para os jogadores, não conseguiremos entrar no topo. Temos os torcedores mais apaixonados, mas não sei se tudo isso compensa.”