Daniel Vorcaro, um dos principais investidores da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Atlético, está sendo investigado pelo Ministério Público de São Paulo por suspeitas de lavagem de dinheiro, com uma suposta relação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Essa investigação levanta questionamentos sobre a origem de parte dos investimentos realizados pelo empresário na SAF do clube.
De acordo com as informações divulgadas nesta sexta-feira (17), Vorcaro teria utilizado uma rede de fundos de investimento interligados para canalizar recursos de origem ilícita em seus negócios, incluindo o Galo Forte FIP, um fundo que adquiriu uma participação na SAF do Atlético. Em resposta, o clube afirmou que não existem indícios de que os recursos utilizados nas suas operações tenham procedência ilegal.
Natural de Belo Horizonte, Daniel Bueno Vorcaro construiu sua carreira no setor financeiro. Filho do empresário Henrique Vorcaro, do Grupo Multipar, ele assumiu a liderança do antigo Banco Máxima, agora chamado Banco Master. Sob sua gestão, o Master expandiu sua carteira de crédito, iniciou operações com empresas de tecnologia e varejo e alcançou um lucro líquido superior a R$ 1 bilhão em 2024. O grupo também tentou vender uma parte do banco ao BRB (Banco de Brasília), mas a transação foi bloqueada pelo Banco Central.
Além de suas atividades no setor financeiro, Vorcaro diversificou seus investimentos, tornando-se acionista da Biomm, uma empresa farmacêutica mineira, e participou da reestruturação da Veste S.A. (ex-Restoque), que controla marcas como Le Lis Blanc e Dudalina. Ele também investe em imóveis, precatórios e ativos do mercado de ações.
A relação de Vorcaro com o Atlético começou em 2023, quando ele investiu R$ 100 milhões na SAF do clube. Este valor foi aumentado no ano seguinte com mais R$ 200 milhões, elevando sua participação para cerca de 26,9% das ações, tornando-se o principal investidor individual fora do grupo conhecido como “4Rs” (Rubens e Rafael Menin, Ricardo Guimarães e Renato Salvador).
Os investimentos foram realizados através do Galo Forte FIP, um fundo registrado na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e administrado pela Trustee DTVM. Com isso, Vorcaro adquiriu voz ativa nas decisões estratégicas da SAF e passou a integrar o conselho consultivo do futebol do clube.
O Atlético enfatiza que o fundo é legalmente constituído e auditado, e que a responsabilidade pela origem dos recursos é exclusiva dos cotistas. “O clube não tem qualquer vínculo com operações externas e desconhece qualquer irregularidade”, afirma o comunicado.
Em relação à matéria publicada pelo jornal Estado de São Paulo, o Atlético detalha que o Galo Forte Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia é um veículo de investimento regular perante a Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Segundo o Ministério Público de São Paulo, Vorcaro e outros empresários são suspeitos de participarem de um esquema de lavagem de dinheiro, que se basearia em uma rede de fundos de investimento, incluindo os fundos Olaf, Hans, Alepo, Maia e Astralo. A investigação sugere que esses fundos seriam utilizados para disfarçar a origem de recursos vinculados a facções criminosas e, em seguida, reinseri-los no sistema financeiro de forma a parecerem lícitos.
As apurações indicam que parte do capital desses fundos pode ter sido direcionada ao Galo Forte FIP, que foi empregado na aquisição de ações da SAF atleticana. Essa operação faz parte da “Operação Carbono Oculto”, iniciada em São Paulo, que investiga a lavagem de dinheiro em grande escala associada ao PCC.
Os promotores observam que os fundos operavam em uma estrutura de “fundo sobre fundo”, o que dificultava a identificação dos cotistas finais, permitindo que a verdadeira origem dos recursos ilícitos permanecesse oculta.