Recentemente, o Cruzeiro se destacou ao realizar a terceira maior transferência da história do futebol feminino brasileiro: a venda da lateral-esquerda Isabela Chagas para o Paris Saint-Germain por mais de R$ 2 milhões. Especialistas acreditam que esse tipo de negociação se tornará cada vez mais frequente, refletindo a evolução da modalidade.
“Transações dessa magnitude são o resultado de anos de luta por reconhecimento e investimento. Elas vão além do aspecto esportivo, representando um símbolo poderoso: mostrar às meninas que o futebol feminino é uma carreira viável e profissional, capaz de criar oportunidades reais, inspirando novas gerações a acreditarem em seus sonhos”, afirma Flávia Magalhães, médica do esporte e autora do livro “A Insustentável leveza de ser mulher no futebol”, que já colaborou com a seleção brasileira na Copa do Mundo Feminina sub-17, na Índia.
Para Camila Estefano, gerente geral do programa social Estrelas, que já apoiou mais de 3 mil jogadoras e encaminhou mais de 100 meninas para clubes nacionais e internacionais, a transferência de Isa para o PSG demonstra como um investimento estratégico pode resultar em receitas significativas para a modalidade. “Investir no futebol feminino é uma estratégia inteligente para os clubes que buscam resultados. O vice-campeonato brasileiro conquistado pelo Cruzeiro, junto com a transferência de Isabela Chagas para o PSG, são provas de que, ao se comprometer com a formação e valorização de suas jogadoras, as equipes obtêm retornos tangíveis. Esses investimentos não apenas geram oportunidades de negócio, mas também elevam o nível das competições e atraem novos públicos”, disse ela.
Isabela chegou ao Cruzeiro em janeiro de 2025 sem custos e ganhou destaque após uma excelente campanha no Campeonato Brasileiro, onde as Cabulosas chegaram à final e garantiram vaga na Copa Libertadores. Sua venda ocupa o terceiro lugar, atrás apenas de Priscila, que foi transferida do Internacional para o América do México por cerca de R$ 2,8 milhões, e de Tarciane, que saiu do Corinthians rumo ao Houston Dash, nos Estados Unidos, por R$ 2,5 milhões.
Segundo Renê Salviano, o futebol feminino está mudando sua percepção de custo para investimento. Ele é especialista em marketing esportivo e CEO da Heatmap, que, em parceria com a FSports, detém os direitos comerciais do futebol feminino da CBF. A empresa é responsável pela venda de todas as cotas de patrocínio das competições nacionais, incluindo o Brasileirão, Supercopa, Copa do Brasil e jogos da seleção brasileira. “Essa negociação demonstra que o futebol feminino brasileiro está sendo reavaliado como um ativo estratégico para os clubes. É um movimento que trará grandes retornos para as equipes, para as atletas e para as marcas que já apoiam a modalidade. Quando há estrutura, investimento e profissionalização, o mercado responde positivamente”, declarou.
O aumento na audiência e no público, aliado ao apoio de marcas e ao interesse em torno da seleção brasileira feminina, cria um panorama otimista para a Copa do Mundo, que ocorrerá no Brasil entre 24 de junho e 25 de julho de 2027. Belo Horizonte, com o Mineirão, será uma das cidades-sede da competição.