Em uma entrevista no canal oficial do Cruzeiro, o gerente do Departamento de Scouting do clube explicou como é realizada uma parte crucial de seu trabalho, especialmente no que diz respeito ao monitoramento de jogadores potenciais para contratação. Dentre os termos que o profissional português utilizou, um se destacou: “equipe sombra”.
“Nosso trabalho é formar uma equipe sombra, composta por atletas de diversas posições, características e idades, para estarmos prontos para qualquer situação. Além disso, temos uma equipe sombra mais reduzida, focada na janela de transferências atual”, esclareceu à TV Cruzeiro. Mas, na prática, o que isso significa?
A expressão “equipe sombra” tem suas raízes em Portugal, especialmente associada ao Benfica, onde Joaquim Pinto trabalhou por muitos anos e ganhou reconhecimento internacional. Ela se refere a um “time” criado pelos scouts, organizado por posições, com jogadores que se encaixam no perfil desejado pelo clube.
No Cruzeiro, o departamento conta com duas equipes (ou equipas, como é dito na Europa) formadas por esses atletas. Uma delas está voltada para a próxima ou atual janela de transferências, enquanto a outra se concentra em jogadores que podem ser convocados de forma repentina, caso haja a necessidade de reposição de algum integrante do elenco, com a autorização do técnico Leonardo Jardim e da diretoria.
Joaquim mencionou que, ao chegar a Belo Horizonte em junho de 2025, encontrou uma lista de atletas que já haviam sido analisados. “Fiquei bastante impressionado com a organização do departamento. Fiz várias perguntas que foram prontamente respondidas, incluindo sobre os jogadores projetados para reforçar o Cruzeiro”, contou.
Em 2020, quando Joaquim Pinto atuava como scout no Sport Lisboa e Benfica, o então responsável pelo departamento de prospecção, Pedro Ferreira, detalhou como se estruturava o processo de formação da equipe sombra. Ele destacou a importância de já ter jogadores identificados para todas as posições, caso a necessidade de contratação se tornasse urgente.
“Cada scout é encarregado de seu próprio mercado e já possui jogadores mapeados. Esses nomes se juntam aos indicados pela diretoria. É essencial que todos sejam avaliados. Em seguida, os scouts analisam os jogadores uns dos outros para que ninguém fique responsável por um atleta específico. Após essa revisão minuciosa, cabe a mim montar uma equipe sombra, com um número determinado de jogadores por posição. Depois, em sintonia com as necessidades do time, avançamos nas contratações”, explicou ao jornal Record.
“Por exemplo, se o Rui Costa (na época diretor) sinaliza a necessidade de um lateral, consultamos a equipe sombra para verificar as opções disponíveis e escolhemos com base nas características desejadas pela comissão técnica. Então, em colaboração com a equipe técnica e a equipe de análise de adversários que também contribuem com informações, decidimos quais três ou quatro alvos seguir”, completou.