Se, antes do confronto de quarta-feira contra o Bolívar, na altitude de La Paz, houvesse a opção de um empate na mesa para dez torcedores do Atlético, é provável que pelo menos nove aceitassem essa proposta. O resultado é digno de reconhecimento, mas a frustração surge ao assistirmos ao jogo e alimentarmos expectativas de um desempenho ainda mais satisfatório. E, mais uma vez, nos deparamos com a decepção.
O Galo, mais uma vez, conseguiu o que parecia complicado: superou uma fase difícil para criar oportunidades e marcar gols. Se na partida contra o Santos conseguimos apenas um gol, nesta foram dois, e a vitória parecia ao nosso alcance. Engano nosso. Sofremos novamente com a bola aérea, cometemos dois pênaltis bizarros (ainda bem que um deles foi perdido) e Hulk teve uma chance clara, mas não conseguiu finalizar. No final das contas, mais um empate que deixa um gosto amargo. Parece que vencer jogos é uma tarefa proibida para o Galo.
A estratégia adotada para a partida foi bastante clara. Com um esquema 5-4-1, tendo Rony como referência no ataque (e Hulk no banco), o Atlético buscou limitar os espaços do Bolívar e atacar quando pudesse, especialmente considerando o desgaste da altitude de mais de 3600 metros. No primeiro tempo, tudo funcionou como esperado.
No entanto, na segunda etapa, antigos problemas ressurgiram. A bola aérea voltou a nos prejudicar em um lance em que Arana falhou novamente, resultando no primeiro gol do Bolívar. Quando um jogador adversário foi expulso, os torcedores mais otimistas comemoraram, mas os mais céticos lembraram que o Galo não costuma ter um bom desempenho quando joga com um a mais. E, de fato, o pessimismo se confirmou. Ter um jogador a mais não trouxe a tranquilidade esperada.
Nos lances dos pênaltis, a primeira falha foi de Lyanco, que cometeu um erro grave pela segunda partida consecutiva. Para mostrar que não estava faltando no jogo, abriu os braços e acabou cometendo a infração. O pênalti foi bem marcado, mas o jogador do Bolívar o perdeu. Igor Gomes, que não aprendeu com o erro do colega, também estava com os braços abertos dentro da área minutos depois, resultando em outro pênalti, que desta vez foi convertido. E assim, o jogo terminou empatado.
Para piorar a nossa lista de frustrações, Hulk, que entrou no segundo tempo, teve a chance de fazer o terceiro gol. Uma oportunidade clara, cara a cara com o gol e sem goleiro. Ele chutou para fora. A fase do camisa 7 está realmente complicada e, para ser sincero, não seria nada absurdo se Sampaoli optasse por deixá-lo no banco nos próximos jogos. Tenho respeito e gratidão eterna por Hulk, mas, como bem disse um amigo meu, ele está “apanhando” em campo.
No fim das contas, talvez uma reflexão sobre os momentos difíceis vividos em La Paz nos ajude a enxergar o “copo meio cheio”. O Galo está a uma vitória de garantir um lugar na semifinal da Sul-Americana, mesmo com tantas dificuldades. E sim, consigo me alegrar com isso, apesar de tudo. Que na próxima quarta-feira possamos finalmente alinhar desempenho e resultado. Como sempre digo, mesmo nas piores situações, ainda há como salvar a temporada.
Por fim, mas não menos importante, desejo uma boa recuperação a Cuello. O lance de sua lesão foi realmente feio, e ficou evidente no replay que algo grave ocorreu. O argentino deve retornar apenas em 2026 e, apesar do recente mau momento, era o atacante mais regular da equipe na temporada. Mais um desafio para Sampaoli enfrentar.
Continuamos na luta. Saudações.