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Brasil fora do Mundial: a campanha mais decepcionante da história e a entrevista que quebrou o silêncio

Foto: FIVB

Embora a expressão “quebrar o silêncio” não seja uma das minhas favoritas, não posso negar que, em certas situações, ela se aplica perfeitamente. Após a derrota do Brasil para a Sérvia (3 a 0) no Mundial de Vôlei, o capitão Lucarelli fez uma declaração que reverberou além do universo do vôlei, mas, para mim, isso não foi o maior dos nossos problemas. Deixe-me explicar:

Desde o início do torneio, havia uma expectativa de que o Brasil chegaria à final, especialmente com a chave de grupos que parecia favorável, considerando nossa classificação como líderes. Muitos acreditavam que a Seleção Masculina de Vôlei resolveria suas questões na fase eliminatória. No entanto, isso não aconteceu.

Antes da derrota sem conquistar sets contra a Sérvia, o Brasil já havia entrado em quadra sem foco contra uma equipe chinesa modesta, perdendo o primeiro set que disputou, o que complicou sua situação no grupo. Na partida contra os europeus, o time enfrentou um cenário desolador devido ao falecimento da mãe de Bernardinho, mas ainda assim, a situação poderia ser gerenciável, pois bastava ganhar um set.

O ponto crucial é que a equipe entrou em quadra com a mentalidade de “precisamos apenas ganhar um set”. Essa abordagem transmitiu a impressão de um time apático, sem determinação e com dificuldades para se impor. A liderança que costumávamos ver na seleção brasileira estava ausente. Os capitães deveriam assumir esse papel, não é mesmo?

Surpreendentemente, nosso capitão disse que “não jogamos tão mal assim,” e, com um sorriso no rosto, evitou encarar a dura realidade: o Brasil estava à beira da eliminação antes do tão falado ‘mata-mata mais fácil da história’.

Embora a entrevista do ponteiro tenha sido, de fato, peculiar, não trouxe à tona nada que já não pudéssemos perceber durante o jogo. Quem assistiu Brasil x Sérvia percebeu a falta de conexão da equipe pela atitude demonstrada em quadra. A sensação que ficou foi de que o Brasil entrou em campo já pensando em uma solução rápida e em como se recuperar no mata-mata, sem a devida urgência pela vitória imediata. O que ocorreu durante a partida me incomodou mais do que as palavras ditas após o apito final.

Atualmente, no cenário do voleibol internacional, não se pode mais contar com uma ‘classificação garantida’. Não é à toa que nenhum dos ‘dois finalistas’ – Brasil e França – conseguiu avançar para as fases seguintes.

Atualmente, restam poucas boas notícias para a seleção masculina neste ciclo, e podemos concordar que, de cima para baixo (começando pela CBV), é essencial recalibrar as estratégias. Não podemos normalizar resultados como “o pior desempenho da história” em Sul-Americanos, VNLs, Mundiais e competições de base, além de “derrotas sem precedentes” e outros recordes negativos, sem uma análise crítica da abordagem adotada. Agora, resta-nos observar o que o futuro reserva.

O Mundial de Clubes de Vôlei masculino de 2025 será novamente realizado no Brasil, mas em uma cidade inédita.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade