Infelizmente, a lógica prevaleceu. No confronto mineiro da Copa do Brasil, saiu vitorioso o time que atualmente demonstra maior organização, um trabalho de treinador mais consolidado e uma fase superior. Após vencer o segundo jogo, novamente por 2 a 0, o Cruzeiro avançou, enquanto o Galo se despediu da competição. É compreensível que a eliminação cause desconforto, mas precisamos manter a calma.
Antes de mais nada, é fundamental lembrar que se trata de esporte. E no esporte, inevitavelmente, há vitórias e derrotas. Hulk, por exemplo, está no Atlético há cinco anos e acabou de sofrer sua primeira derrota em mata-mata para o Cruzeiro. Enquanto o Atlético conquistou seis campeonatos estaduais seguidos, um Brasileiro, uma Copa do Brasil e uma Supercopa (além de um vice-campeonato na Copa do Brasil e na Libertadores), seu rival levou para casa apenas o título da Série B. Era esperado que, em algum momento, isso acontecesse. Faz parte do jogo.
A classificação do Cruzeiro foi garantida no primeiro encontro e selada com apenas quatro minutos de partida no Mineirão. Em mais uma jogada de bola parada, a bola sobrou para Kaio Jorge, que marcou. Sampaoli precisará de muito empenho para corrigir esse “grande inconveniente”, como ele mesmo definiu. Não existe esquema que resista a uma defesa tão vulnerável em situações de bola aérea.
A partir daí, o jogo teve pouco a oferecer. O Cruzeiro teve algumas oportunidades, o Galo acertou uma bola na trave, e logo no início do segundo tempo, veio o segundo gol do adversário, também em um lance de bola parada. A vaga estava mais do que assegurada.
Indivíduos do time do Atlético tiveram pouco destaque positivo. Gostei da atuação de Fausto Vera na saída de bola, assim como de Alexsander e Arana. Everson não pode ser responsabilizado pelos gols sofridos. Fora esses, foi mais uma exibição insatisfatória da equipe.
Como Sampaoli ressaltou na coletiva, o papel do treinador é organizar o time para que consiga chegar ao último terço do campo com chances de criar jogadas. Depois disso, o desempenho depende dos jogadores. Se eles estão em má fase (ou sem confiança), nada será produzido. Isso ficou evidente na partida de ontem.
Há, porém, um horizonte encorajador. O time não é tão fraco quanto parece e, mesmo com pouco tempo sob a orientação do novo técnico, já é possível notar uma identidade que remete ao estilo argentino. Agora é crucial restaurar a confiança do elenco e encontrar os jogadores ideais para executar as estratégias propostas. E, claro, é necessário reestruturar grande parte do time pensando em 2026.
Ciclos se encerram, os grandes momentos de ídolos chegam ao fim, e novos ciclos se iniciam. Isso é inerente à vida e ao futebol. Precisamos refletir sobre várias questões para a próxima temporada, mas esse é um assunto para depois. Antes, ainda temos muito a realizar em 2025.
O primeiro passo é sair da “zona de confusão” no Campeonato Brasileiro. Depois, quem sabe, almejar a zona de pré-Libertadores. E, claro, lutar com afinco na Sul-Americana, já que seguimos na disputa, mantendo o prestígio de sermos o único clube a representar Minas no cenário esportivo internacional neste século. Ainda há tempo para terminar o ano com um sorriso no rosto.
Boa sorte ao técnico careca. Vamos em frente.
Saudações.