De um jovem promissor na base de um grande clube brasileiro a um campeão na Série A. Essa é a trajetória de Everson, ídolo do Atlético, que nesta quinta-feira (10/9) comemora cinco anos no time. Em um documentário especial produzido pelo Galo, o goleiro recordou sua jornada e não conseguiu conter as lágrimas ao falar do clube que se tornou seu lar.
Desde pequeno, Everson sonhava em ser jogador de futebol, conforme contou sua mãe, Ritinha. Inspirado pelo pai, Paulo, que jogava na várzea, ele começou a atuar como goleiro desde muito cedo. Com apenas 13 anos, deixou sua casa em busca de oportunidades. Passou por toda a formação no São Paulo, mas saiu antes de estrear no time profissional, dando início a uma trajetória repleta de desafios.
Sua estreia profissional ocorreu no Guaratinguetá em 2010, um clube do interior de São Paulo que, na época, disputava a Série B. Após quatro anos como reserva, mudou-se para o Piauí e defendeu o River Plate, onde conquistou um título estadual, mas não permaneceu para a Série D.
A seguir, Everson se transferiu para o Confiança, em Sergipe, que estava na Série D. Com seu desempenho, ajudou o time a subir para a Série C, e, após se destacar na Copa do Nordeste contra o Ceará, foi contratado pelo clube cearense, que lutava para não ser rebaixado na Série B. No Vozão, com a confiança do técnico Lisca, teve um papel fundamental para manter o clube na divisão.
No Ceará, contribuiu para a ascensão do time à Série A e sua permanência na elite do futebol brasileiro, o que chamou a atenção de Jorge Sampaoli, que o trouxe para o Santos em 2019. Apesar de se tornar titular, enfrentou críticas de parte da torcida, o que o levou a perceber que uma mudança seria benéfica. Assim, no meio de 2020, surgiu a chance de jogar no Atlético, sob a direção do mesmo Sampaoli.
“Quando recebi a ligação do Galo, percebi que era uma oportunidade que poderia transformar a minha vida. Em 2020, já enfrentava certo desprezo por parte da torcida. Abracei essa chance como uma forma de reencontrar a alegria de jogar futebol”, compartilhou Everson em entrevista à GaloTV.
Os primeiros meses foram desafiadores, com a torcida cobrando seu desempenho, especialmente após sua chegada, que coincidiu com a saída de Rafael, o goleiro titular. Em pouco tempo, porém, Everson assumiu a titularidade após uma expulsão de Rafael, e as críticas pesadas começaram a surgir. Contudo, tudo mudou em um jogo específico.
“Cheguei ao Galo sem conhecer sua história. Enfrentei dificuldades, mas, ao me aprofundar na trajetória do clube, percebi que era um lugar onde poderia me destacar. Conversei com minha esposa e disse que ali era o meu lugar”, relembrou ele.
Em julho de 2021, Everson ainda dividia opiniões entre os torcedores. Porém, no dia 21 daquele mês, sua sorte começou a mudar. Ele defendeu dois pênaltis e converteu o último na disputa contra o Boca Juniors, garantindo a classificação do Galo e marcando o início de sua carreira como ídolo.
“Aquele jogo foi um divisor de águas para mim. Minha história teria sido muito diferente se não fosse por aquela partida. Após aquele dia, toda desconfiança desapareceu, e comecei a receber mais respeito e reconhecimento”, declarou o goleiro.
Desde então, a trajetória de Everson no Atlético tem sido marcada por grandes atuações, defesas memoráveis, pênaltis decisivos, e, claro, muitos títulos. Ele conquistou o Campeonato Brasileiro, a Copa do Brasil, a Supercopa e se tornou heptacampeão mineiro, contribuindo significativamente para cada uma dessas conquistas. Ao falar sobre o Galo, ele se emocionou.
“Hoje, posso dizer que sou parte da Massa. A identificação que tenho com o clube, sua história, os momentos difíceis e alegres são profundos. Sinto uma pressão quando não vencemos. O Atlético é o clube onde passei mais tempo jogando, onde conquistei e recuperei minha alegria no futebol, além de realizar o sonho de ser convocado para a seleção brasileira. Este clube estará comigo para sempre. Aqui, vivi os melhores momentos da minha vida e da minha carreira. Sou eternamente grato por tudo que fez por mim. Nos momentos difíceis, o clube me acolheu, e estou sempre pronto para retribuir todo o apoio que recebi”, emocionou-se Everson.
No documentário da GaloTV, Everson recebeu muitos elogios de companheiros como Arana, Hulk, Alonso e Gabriel Delfim, além de funcionários como os preparadores de goleiros, Danilo Minutti e Rafael César, e dos ex-goleiros Victor e João Leite. Todos destacaram seu comprometimento e dedicação, tanto dentro quanto fora de campo.
“Me orgulho muito da minha trajetória. Comecei nas bases de um grande clube, passei pela última divisão do futebol brasileiro e consegui subir as divisões até chegar à Série A. Poucos jogadores conseguem essa ascensão, e espero que minha história inspire aqueles que estão na Série D a sonharem em jogar em grandes clubes.”