No dia 8 de julho de 2012, os torcedores do Atlético que estavam no Independência não podiam imaginar que estavam testemunhando o início de uma trajetória que se tornaria lendária: a estreia do goleiro Victor, que colocava pela primeira vez a camisa alvinegra. A contratação do atleta, que já tinha se destacado no Grêmio e na seleção brasileira, foi anunciada de maneira inusitada por Alexandre Kalil, então presidente do clube, em suas redes sociais, onde comentou: “Torcida mais chata do Brasil, se o problema era goleiro não é mais. Victor é do Galo!”, uma resposta às críticas dos torcedores sobre os goleiros que ocuparam a posição desde a saída de Diego Alves em 2007.
Foi nesse cenário que Victor chegou a Belo Horizonte. Apresentado oficialmente no dia 4 de julho ao lado do diretor de futebol Eduardo Maluf, o goleiro falou sobre o projeto do clube e expressou seu desejo de “fazer história”. Ele não imaginava o que viveria vestindo a camisa do Atlético. “Estou muito feliz por estar aqui, participando pela primeira vez como jogador do Atlético. É uma responsabilidade, mas uma responsabilidade gostosa porque o ser humano é movido a desafios e esse foi um dos principais motivos de ter aceitado o convite, esse desafio de poder fazer história aqui, conquistar títulos, dar alegria ao torcedor e ficar cada vez mais guardado no coração e na memória do torcedor”, afirmou durante sua apresentação.
Victor elogiou a estrutura que encontrou na Cidade do Galo, ressaltando que “quando se trabalha sério, os resultados acontecem”. Na sua primeira temporada, utilizou um número inusitado para um goleiro: a camisa 83, já que Giovanni usava a número 1 e Renan Ribeiro a 30. Ao explicar a escolha, ele compartilhou que foi uma decisão discutida com sua esposa, onde a numerologia influenciou a escolha: “O oito significa vitória e prosperidade, e o três expansão e criatividade. Além disso, 83 é o ano em que eu e minha esposa nascemos. Por isso, resolvemos segurar o 83.”
Quatro dias após sua apresentação, Victor fez sua estreia pelo Atlético, ajudando a equipe a vencer a Portuguesa por 2 a 0 na 8ª rodada do Brasileirão, em um Mineirão com 18.875 torcedores. Esse foi apenas o início de uma longa jornada. No ano seguinte, ele desempenhou um papel crucial na conquista do maior título da história do clube, a Libertadores de 2013. Nas quartas de final, no dia 30 de maio, defendeu um pênalti decisivo que garantiu a continuidade do Atlético na competição, ganhando o título de “São Victor” entre os torcedores.
Em sua passagem pelo clube, ele também conquistou a Copa do Brasil em 2014, a Recopa Sul-Americana e foi pentacampeão mineiro. Após uma carreira brilhante, Victor anunciou sua aposentadoria em 27 de fevereiro de 2021, aos 38 anos, jogando sua última partida no dia seguinte, onde foi o capitão em uma vitória por 3 a 0 contra a URT no Campeonato Mineiro, usando a camisa ‘424’ em homenagem ao total de jogos que fez pelo Atlético. Após a partida, foi anunciado seu novo cargo como gerente de futebol do clube, dando continuidade à sua história com o Galo, agora fora dos gramados.
Nome: Victor Leandro Bagy
Data de Nascimento: 21/01/1983
Naturalidade: Santo Anastácio (SP)
Clubes: Paulista (2001 – 2003 a 2007), Ituano (2002), Grêmio (2008 a 2012), Atlético (2012 a 2021)
Títulos pelo Atlético: Libertadores 2013, Copa do Brasil 2014, Recopa 2014, Mineiros de 2013, 2015, 2017, 2020 e 2021
Título pela Seleção: Copa das Confederações (2009)
Outros Títulos: Paulista 2002 (Ituano), Copa do Brasil 2005 (Paulista), Gaúcho 2010 (Grêmio)